sábado, 20 de fevereiro de 2010

Somos todos necessários!

Pode ser que eu esteja batendo na mesma tecla, mas quase sempre escrevo sobre o que vivencio, e com uma criança de 3 anos em casa, com a TV ligada praticamente sempre no canal infantil Discovery Kids, não tem como não escutar as campanhas politicamente, ecologicamente, socialmente e “etceteramentes” corretas. Corretas?

Mas quem são os necessários?
Os bichinhos, sapos, formigas, você e eu, pra salvar o planeta Terra.

Em primeiro lugar: o planeta Terra sobreviverá a tudo e a todos, a não ser que exploda. Quem pode sofrer pelas cagadas feitas durante os últimos séculos por pessoas interessadas em lucro somos nós, quem sabe o ser humano se acabe, se autodestrua. Segundo: quem é necessário pra salvar o planeta não está muito interessado neste canal, nem nesta campanha. Prova disto foi a Conferência sobre o Clima, que foi um fracasso, pois os acordos que deveriam ser realizados poderiam prejudicar a economia dos países líderes em poluição. Empresas, corporações gigantes e os presidentes das grandes nações não se importam com a população, mas com os lucros. Então os realmente necessários para que haja uma mudança não estão nem aí. Terceiro: por que o canal não questiona as corporações que produzem produtos com quinhentas embalagens desnecessárias (sucrilhos, por exemplo)? A necessidade dos carros? O público do canal são crianças pequenas, quem sabe (não sei mesmo, não sou nem psicóloga, nem pedagoga) se desde já colocarem na cabeça deles que andar de bicicleta é muito bom e ter carro é muito ruim, eles não deixam de comprar carros quando crescerem, assim como a campanha contra o cigarro. Seria bem mais interessante do que usar o papel dos dois lados.

O planeta está vivo, como diz a campanha, logo ele responderá as ações que foram e ainda são feitas contra ele. Não adianta não deixarmos a água ligada enquanto escovamos os dentes, usar a sacolinha retornável, separar meia dúzia de lixo, para nos isentarmos da culpa. Ferrou, meu bem. A besteira já está feita. O clima já está “anormal”. E a culpa com certeza não é minha, nem tua. A não ser que algum acionista do Wal Mart, Coca Cola, Ford, ou afins, esteja lendo este blog. Não há nada que possamos fazer. Ou melhor, quem sabe não consumir mais supérfluos, mas estes sim se tornaram necessários, muito mais do que as araras, pelo menos para a população necessária* dos centros urbanos.

Só para finalizar com chave de ouro. Fui pesquisar uma imagem para colocar no texto e entrei no site responsável pela campanha na Discovery. Um dos patrocinadores é a Fiat, acho que o maior se não o responsável, a maior parte das dicas são extremamente supérfluas, como as que dei em aí cima: sacolas, fechar torneira e dar carona. Agora você entende porque não se toca nas feridas? Quem quer “conscientizar”, na verdade é o que destrói. Esse é o jogo, e depois ainda me chamam de paranóica.

Olha o site aí para não dizerem que estou mentindo



*consumista, os marginais e mendigos são menos necessários do que as formigas.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Beleza?

A beleza não é algo que vem de dentro, ou melhor, ela é interiorizada pela estética imposta pela sociedade.
Ser magra, sem pelos, não envelhecer e ter o corpo atlético é o ideal atual. Estar com as unhas feitas e cabelo penteado são pequenos sacrifícios que se faz para mostrar ao próximo que existe a preocupação com a vaidade. Até mesmo uma demonstração de higiene (tirar cutículas e arrancar pelos com cera realmente são super higiênicos).
Porém para que tanto sofrimento? Quem repara nas suas unhas e virilha? O corpo magro também não é a preferência entre os homens. E com certeza os pelinhos não seriam tão indesejados se a ausência deles já não tivesse sido interiorizados como padrão feminino de beleza.
Quantas mulheres se depilam pra ficar cheia de roupas? A maior parte só vai sofrer quando o verão está próximo e os biquínis serão retirados das gavetas. Mas e daí que seu marido, namorado ou afins não se importam, ou mesmo que ninguém se importe. Em algum momento você vai achar que alguém está olhando para aquele ponto estratégico. E aí é que mora a porcaria da interiorização da moda das sem pelos.
Não adianta achar que porque não liga pra vaidade é que estará isenta dela, ela te ataca e te deixa paranóica se não a seguir. Então é mais fácil fazer algumas concessões e deixar a luta para os inimigos mais poderosos neste campo, como as plásticas e academias.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

UM SONHO PARA 2010


Tenho que escrever, faz dias que estou com várias coisas perambulando pela minha cabeça, mas está difícil. Férias(?), viagens, pessoas, compromissos sociais que não acabam. Porém isso não faz com que minha cabeça pare, muito pelo contrário. Vejo muita coisa, sinto mais ainda, e a cada dia percebo mais que não adianta, fudeu!
Neste momento estou no Rio, tendo que me habituar com o novo Word que instalaram no meu pc. Tudo diferente, até demorei mais para escrever porque precisei aprender, mas fazer o quê? Na verdade essa é a pergunta que mais faço ultimamente: fazer o quê?
Aqui no Rio temos o choque de ordem, com esse nome mesmo. Em Curitiba também, mas sem nome, apenas uma onda de Leis e de conformidade que me deixaram indignada, mas fazer o quê? Posso apenas me habituar. Essa é a geração dos babacas, tudo é aceito em nome da paz. E é assim que a paz funciona, alguém dita as regras e nós obedecemos, porque não há como ir contra, se acontece uma manifestação tem que ser pacífica, bundona mesmo. Caso aconteça o contrário, como foi o caso do Coxa, o mundo irá dar uma resposta, que irá te derrotar.

Que 2010 a Paz dê lugar a luta! Pois isso não é paz real, e sim apenas uma conformidade medrosa. Ah, mas é tudo para sua segurança!

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

CIDADES

Não adianta fugir e se esconder no meio do mato, pois as árvores não vão quebrar o galho de ninguém. Mas nem por isso fiquem pensando que isso que vocês fizeram com suas cidades é uma coisa normal. Elas são o mundo cão onde a maioria está num mato sem cachorro. Vocês que, com seu egoísmo e suas boas intenções, fizeram de seus habitats um amontoado de gente sozinha, sem pai nem mãe, império do salve-se quem puder. E, pior, cada um por si e Deus contra, como disse o Alberto Centurião.
Nas suas cidades vocês têm todas as desvantagens da falta de espaço natural mas, apesar do empurra-empurra, não aprenderam a desfrutar das vantagens de uma vida amorosa, feliz e solidária. O vizinho pode morrer seco e arreganhado; o irmão, com as mãos à feição de conchas, pode beber água da sarjeta; assim mesmo, vocês não hão de desgrudar o traseiro individualista nem para buscar pão para a mãe querida.
Mas quem são vocês? Originais de onde? Babilônia é sua terra natal? Tudo tem que dar certo? Tudo tem que dar lucro? Tudo tem que ter um preço? De quem vocês estão se defendendo? A quem você atacam?
Ainda bem que existe um outro coração por trás dessas cidades, e, somente ele, por atrito benevolente, vai extrair, de vocês, hoje pedras brutas, o brilho do sol da nova aurora humana. Que assim seja, Mautner!

Antonio Thadeu Wojciechowski e Roberto Prado

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

A CULPA É DO GOVERNO

É tudo culpa do governo. Sempre. Não interessa se outros cometeram o erro. Mesmo se toda uma população está envolvida, será culpa do governo. Os marginais coxa branca invadiram o estádio? Poxa, tinha que ter mais policiais. Já imaginaram se realmente o Couto estivesse cercado de PM? O número de inocentes que agora estariam feridos. Ou você acha que a presença da polícia intimidaria? Seria uma guerra maior ainda. Quem sabe colocando um PM para cada cidadão. Perfeito. O admirável mundo novo.

Faltou luz. Blecaute. Meu Deus, que absurdo. Não se pode viver sem luz. Somos dependentes da novela das 20hrs. Ah, mas e as criancinhas que estavam na incubadora? Ué, cadê os geradores? Alguém usou o dinheiro para outros propósitos. E outras mil outras coisas que acontecem pela falta de energia, não estamos preparados para qualquer tipo de surpresa. Culpa do governo.

Tem enchente, caiu barranco, assalto, buraco, falta ou uso incorreto de capital, fome, analfabetismo, obesidade, anorexia, homicídios, estupidez. Tudo culpa do governo. As empresas podem fazer o que querem sem nenhuma responsabilidade social (a não ser a da propaganda). Mas a culpa é do governo. Se o dinheiro rola pelas mãos de tão poucos, é claro que a culpa é do governo. E tente mudar isso. Será culpa do governo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

TODA AÇÃO TEM UMA REAÇÃO?

Há quanto tempo a internet está presente no nosso dia a dia? Para alguns faz uns 15, 20 anos, mas esses não são muitos. Para a grande maioria da população virtual, faz 10,12 anos. E claro que deve ter os mais atrasados. Tem pessoas que ainda nem descobriram este mundo, que atualmente é praticamente essencial. Como viver sem todas as informações e localizações do google? Ou sem ler os emails? Menssenger, orkut, blogs e o mais novo twiter?

Tudo e todos estão na rede. É possível se comunicar até com os ídolos, aqueles inatingíveis das revistas de fofocas. Ou com os maiores pensadores contemporâneos. É só mandar um email, ou um post. Claro que isso já era possível antes da nova onda, mas através de cartas, que demoravam a chegar e a serem respondidas. As vezes nem mesmo eram colocadas no correio. Apenas escritas. Agora é mais fácil, é só postar.

Isso é bom? É. Isso é ruim? Também. O imaginário as vezes é mais salutar. Sonhar com o impossível tem lá suas vantagens. E com a internet os sonhos são possíveis. E quando se transformam em realidade, essa não é assim tão graciosa, esplendorosa. Na verdade a contemporaneidade tem esse defeito/virtude. Tudo é possível. Você pode ser tudo, fazer tudo. Mas na verdade isso não passa de propaganda enganosa, já que nem fumar mais é permitido. Fazer piadas de papagaios e afins também podem ser condenado pelo IBAMA. E quanto a se comunicar com um personagem, poderá descobrir que ele não é assim...daquele jeito que você imaginou.

E outra, quando colocamos nossos pensamentos ou história na rede ou num livro, ou em qualquer mídia existente, há a grande possibilidade de ser lido, visto. E com isso ser interpretado de maneiras diferentes, as vezes impensáveis ou indesejáveis. O conceito pode ser criado a partir de várias fontes, entre elas a auto história. Mas também pode-se ir pela onda e repetir. Em contrapartida tem tanta coisa no mundo virtual, que há textos que nem lidos são. Até expressam ação, mas não há a reação, pois nem visto foi.

sábado, 28 de novembro de 2009

Johnny e os Anjos

Acabei de ler o livro “Meu nome não é Johnny” (Guilherme Fiuza). Bacaninha, uma história de drogas, loucuras e sorte. Até na tragédia o cara se deu bem. Curtiu todas, permeou pelas noites rock roll das décadas de 80 e 90 no melhor estilo carpe diem. Enfim, foi flagrado por seus atos. E a punição: foi uma benção.
Teve a sorte de nascer numa família em ascensão, que saiu do aluguel para casa própria no melhor estilo. Passou a adolescência nas praias da zona sul. Curtiu a comunidade alternativa nos auges dos 20 anos. Não perdeu tempo em burrocracias e carteiras acadêmicas, foi direto ao topo sem sentir o peso do tempo. Um jovem sem limites e com um anjo da guarda, que apesar de ter muito trabalho, deu conta do recado. Vários de nós temos esses anjos da guarda, gostaria de saber o que faz um ser ter esse privilégio e outros não.
Uma constatação, claro que não fiz pesquisa pra isso, algumas pessoas passam pela vida e se dão bem. Sempre que tudo parece que vai desmoronar, aparece uma luz no fim do túnel, uma janelinha que se transforma na Porta da Esperança. Por mais errado e inconsequente que suas ações poderiam ser, no final, tudo deu certo. Como? Não sei. Só pode ser o anjo da guarda.
Em contrapartida há os que só se ferram. No livro mesmo tem um coitado que pega 8 anos de prisão porque estava na hora e lugar errados. Ele vai comprar um baseado e é pego em flagrante com um mega traficante. Muito azar. Pai de família vê sua vida se esvair, e com isso fica louco. Quem não ficaria? O que acontece com os anjos da guarda dessas pessoas? Será que isso é uma resposta para algum tipo de perversidade? Porque olha só, a história desse cara eu não sei, o livro só diz que ele é pai de família, sua profissão e que fumava uns baseados, mas não comenta sua índole, a não ser seu comportamento dentro da prisão. Já o João (seu nome não é Johnny) é um gente boa, mas ingênuo e está sempre na hora certa, no lugar certo e sempre aparece a pessoa certa. Pelo livro é uma pessoa com um bom coração e com sede de emoções. E como as emoções não são assim muito frequentes de forma simples, ele apela para sua criação. Apenas isso.
E ele gosta destas fortes experiências. Até porque viver 10 anos a 1000 e de repente mudar para 1000 anos a 10 não é fácil. É necessário algo maior para fazer a transferência: uma interferência divina, só assim para haver essa troca de conceito de vida. E não adianta dizer que esses 10 anos não serviram pra nada, isso só é escutado depois do 11° ano.
Bem, no final das contas, João é pego pelo tráfico de drogas pela Polícia Federal, mas em vez de ele se ferrar, como qualquer ser desprovido de beldades angelicais, ele passa por mais uma aventura, desta vez careta, logo percebe melhor os perigos. Mas na verdade ele se dá bem, pois consegue com a ajuda de seres que aparecem na estrada da sua vida e muda seu rumo antes que seja tarde demais.
E assim como num conto de Fadas: Todos são felizes para sempre. Porra, além de dar tudo certo pro cara, ele virou uma celebridade. Com direito a filme super produção, livro e tal. Ah, fala sério!
O livro é escrito corretamente, gostei até do fato de explorar a criação de personagens pela mídia. Johnny nunca existiu. E isso é apenas um exemplo. Já pensou em todas as estórias criadas a partir de histórias? Não são poucas, aliás, acredito que todas, já que os jornalistas sempre terão um ponto de vista próprio e logo estão dando o próprio olhar quanto a um fato. Todas as notícias são irreais. O próprio livro é apenas parte de relatos de algumas pessoas que presenciaram, viram e sentiram de maneira pessoal (o cara vivia doidão, quanta coisa você acha que ele lembra?) Absurdo? Pense bem. O que você vê é diferente, nunca é a mesma coisa que o outro. Ou você pode ver isso de maneira diferente da minha.
Não gostei muito das citações musicais, achei meio fraco. Poderia ter explorado mais. Mas deve ser esse o ambiente sonoro que o personagem descreveu.