Sim, o SUS salva. Mas e os hospitais privados, esses de convênio? Você sabe o que está acontecendo lá dentro?
Fizeram uma cirurgia no joelho errado de uma mulher. ER-RA-DO. Esse mesmo hospital perdeu a guia para eu fazer a minha cirurgia. É gente pouca para muito trabalho. O hospital não contrata, enfia o dobro de plantões em quem sobrou, e quem se ferra é você, que paga o convênio em dia, religiosamente, achando que isso te compra alguma coisa. Compra nada.
Essa é a lógica do mercado: lucro acima de tudo. E sabemos que a família Bolsonaro segue essa linha, assim como os governadores e legislativos que foram eleitos aqui no sul do país. Eles dizem que o mercado resolve tudo e que o Estado é sempre o problema. É só lembrar que o Paulo Guedes defendia a ampliação da participação privada na saúde e a ideia de vouchers, em vez de o Estado garantir diretamente o atendimento, daria um valor para você comprar o serviço no mercado.
Aí você paga um convênio, acredita na rede privada, mas a existência de um contrato não garante atendimento de qualidade. E quem fiscaliza? O CRM tem feito o quê quando acontecem erros como o da senhora que teve o joelho errado operado, ou quando te mandam pra casa com o apêndice inflamado, ou quando te diagnosticam errado? Ou mesmo quando faltam profissionais e informações? Médicos que parecem estar ali só cumprindo protocolo?
O mercado não resolve tudo. E o Estado não deixa de ser necessário só porque um serviço foi terceirizado. Convênio te coloca num serviço de qualidade duvidosa, muitas vezes ruim, e que você paga caro.
Vocês lembram quando a Dilma foi escorraçada do governo? Pois é. Logo depois tivemos a reforma trabalhista de 2017, aprovada no governo Temer, que alterou as regras das relações de trabalho. A Emenda Constitucional 95, de 2016, instituiu o teto de gastos federais, com efeitos sobre o financiamento de políticas públicas. Bolsonaro assumiu em 2019 e deu continuidade a uma agenda econômica de orientação liberal, com medidas que também afetaram a organização dos serviços públicos.
É preciso reconstruir as políticas públicas, ampliar recursos para o SUS e retomar programas como o Mais Médicos. Mas reconstruir políticas e recompor serviços leva tempo. E o seu convênio não espera. Enquanto isso, as condições de trabalho, os contratos e os mecanismos de fiscalização continuam sendo questões centrais para a qualidade do atendimento.
E não é só na saúde. É o mesmo debate na educação (e na telefonia).
As instituições de ensino públicas enfrentam problemas sérios, e parte das famílias busca a rede privada acreditando que está comprando qualidade. Mas o que acontece dentro dessas instituições? Também existem professores sobrecarregados, contratos precários e profissionais que precisam se dividir entre várias escolas para completar a carga horária.
A qualidade da educação depende também de profissionais valorizados, estrutura adequada, planejamento, financiamento e acompanhamento dos resultados.
E na telefonia,
Citado como exemplo de sucesso na privatização, a promessa de concorrência e eficiência também não existe. Ligações que não completam, atendimento automatizado e é impossível resolver problemas. Além dos trotes, ninguém mais usa telefone, olha só: a privatização acabou com a telefonia. Quem é responsável?
A questão não é escolher entre um Estado que faz tudo e um mercado que resolve tudo. É entender que serviços essenciais exigem responsabilidade pública, controle, transparência e qualidade, independentemente de quem os executa.
Porque você pode pagar caro por um plano de saúde, por uma escola particular ou por um serviço de telefonia e, ainda assim, ficar sem atendimento adequado. O setor público tá ruim, mas o privado não te garante nada. A não ser que vc seja milionário...