domingo, 11 de outubro de 2026

A gente paga caro pra ter migalhas

 Sim, o SUS salva. Mas e os hospitais privados, esses de convênio? Você sabe o que está acontecendo lá dentro?

Fizeram uma cirurgia no joelho errado de uma mulher. ER-RA-DO. Esse mesmo hospital perdeu a guia para eu fazer a minha cirurgia. É gente pouca para muito trabalho. O hospital não contrata, enfia o dobro de plantões em quem sobrou, e quem se ferra é você, que paga o convênio em dia, religiosamente, achando que isso te compra alguma coisa. Compra nada.
Essa é a lógica do mercado: lucro acima de tudo. E sabemos que a família Bolsonaro segue essa linha, assim como os governadores e legislativos que foram eleitos aqui no sul do país. Eles dizem que o mercado resolve tudo e que o Estado é sempre o problema. É só lembrar que o Paulo Guedes defendia a ampliação da participação privada na saúde e a ideia de vouchers, em vez de o Estado garantir diretamente o atendimento, daria um valor para você comprar o serviço no mercado.
Aí você paga um convênio, acredita na rede privada, mas a existência de um contrato não garante atendimento de qualidade. E quem fiscaliza? O CRM tem feito o quê quando acontecem erros como o da senhora que teve o joelho errado operado, ou quando te mandam pra casa com o apêndice inflamado, ou quando te diagnosticam errado? Ou mesmo quando faltam profissionais e informações? Médicos que parecem estar ali só cumprindo protocolo?
O mercado não resolve tudo. E o Estado não deixa de ser necessário só porque um serviço foi terceirizado. Convênio te coloca num serviço de qualidade duvidosa, muitas vezes ruim, e que você paga caro.
Vocês lembram quando a Dilma foi escorraçada do governo? Pois é. Logo depois tivemos a reforma trabalhista de 2017, aprovada no governo Temer, que alterou as regras das relações de trabalho. A Emenda Constitucional 95, de 2016, instituiu o teto de gastos federais, com efeitos sobre o financiamento de políticas públicas. Bolsonaro assumiu em 2019 e deu continuidade a uma agenda econômica de orientação liberal, com medidas que também afetaram a organização dos serviços públicos.
É preciso reconstruir as políticas públicas, ampliar recursos para o SUS e retomar programas como o Mais Médicos. Mas reconstruir políticas e recompor serviços leva tempo. E o seu convênio não espera. Enquanto isso, as condições de trabalho, os contratos e os mecanismos de fiscalização continuam sendo questões centrais para a qualidade do atendimento.
E não é só na saúde. É o mesmo debate na educação (e na telefonia).
As instituições de ensino públicas enfrentam problemas sérios, e parte das famílias busca a rede privada acreditando que está comprando qualidade. Mas o que acontece dentro dessas instituições? Também existem professores sobrecarregados, contratos precários e profissionais que precisam se dividir entre várias escolas para completar a carga horária.
A qualidade da educação depende também de profissionais valorizados, estrutura adequada, planejamento, financiamento e acompanhamento dos resultados.
E na telefonia,
Citado como exemplo de sucesso na privatização, a promessa de concorrência e eficiência também não existe. Ligações que não completam, atendimento automatizado e é impossível resolver problemas. Além dos trotes, ninguém mais usa telefone, olha só: a privatização acabou com a telefonia. Quem é responsável?
A questão não é escolher entre um Estado que faz tudo e um mercado que resolve tudo. É entender que serviços essenciais exigem responsabilidade pública, controle, transparência e qualidade, independentemente de quem os executa.
Porque você pode pagar caro por um plano de saúde, por uma escola particular ou por um serviço de telefonia e, ainda assim, ficar sem atendimento adequado. O setor público tá ruim, mas o privado não te garante nada. A não ser que vc seja milionário...

Que venha o caos

 Eu sei viver no caos. Na verdade, tenho até um certo gosto por ele. É aquele lugar que te lembra a infância: ódio, briga, porrada, confusão, intriga. Nada com que eu não tenha intimidade.

E o governo Bolsonaro foi assim. Quando você percebe, já está lá brigando.
Talvez o objetivo de passarmos por isso mais uma vez seja justamente esse: tem muita gente que não entendeu. Em 2020 a gente protegeu, disse "vamos cuidar, ninguém larga a mão de ninguém". Bonito na teoria. Mas pra escolher sair do caos (e eu fiz essa escolha quando formei minha família e amadureci) é preciso querer. É ruim viver brigando. Mas também é ruim deixar de ser quem se é pra se submeter a uma pessoa sacana que curte viver assim.
É com esses dois tipos que estamos lidando: quem adora disseminar intriga, causar confusão e viver no caos, mas também quem se acomoda no papel de vítima. Essa segunda pessoa fica chorando, colocando a culpa no coleguinha, mas não se mexe pra mudar de forma efetiva a própria situação. Fica ali, no lugar onde o algoz a colocou, esperando que alguém resolva por ela. É por querer? Sei lá. Tem de tudo nessa vida.
Só sei que, mesmo com o caos que vivemos nos últimos anos (Bolsonaro no poder no meio de uma pandemia), muita gente não entendeu.
Eu, particularmente, sei viver no caos. Mas dessa vez eu vou dar é porrada.

sábado, 11 de janeiro de 2025

O fim do mundo será compartilhado

O argumento usado por pessoas ditas progressistas, ou de esquerda, para justificar ter um iPhone, com base na ideia de que o objetivo é distribuir riquezas, me gera algumas dúvidas. Antes de mais nada, vale dizer que, nesta praça de guerra em que vivemos, sou a favor de que todas as pessoas tenham dignidade e de que nada impeça o acesso delas ao bem-estar.


Mas aí surge uma questão: se todo mundo tiver um iPhone, não teremos um problema ambiental? E ainda, esses iPhones continuariam com obsolescência programada, como ocorre atualmente? Ou poderíamos usá-los por 10, 20 anos? Quem sabe, como era com os antigos PCs, bastaria trocar algumas peças para atualizá-los com as novas tecnologias?


Outro ponto, igualmente importante: quem produziria esse volume de iPhones? Antes de respondermos a isso, é preciso resolver as primeiras questões. Porque, imagine, pra trocar de iPhone anualmente, é necessário extrair enormes quantidades de matéria-prima, trabalho também não faltaria, principalmente na extração e produção. Não na área de marketing? Pra quê convencer alguém a comprar algo que todo mundo já tem?


Por fim, quero deixar claro: meu desejo é que não precisemos de iPhones ou de qualquer outro smartphone ou produto descartável. Enquanto não encararmos esse mar de produtos como lixo — porque é isso que eles viram em tão pouco tempo —, nem mesmo uma luta de classes terá utilidade. Ou o objetivo é acelerar a destruição do mundo com todo mundo filmando e compartilhando?


Por mim, tudo bem. Assim, quando chegar a próxima atualização do celular, talvez o mundo já tenha acabado e eu não precise trocar de aparelho, tá ficando velhinho, coitado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

escritas abstratas

Eu sempre gostei de escrever, mas nunca fui uma pessoa estudiosa. Lia bastante e tinha noção da nossa língua portuguesa, mas me confundia com regras ortográficas ou de sintaxe, ou tudo junto misturado. Fiz diários, e, com a adolescência que tive, deve-se ter ideia que o conteúdo desses caderninhos não eram assim tão básicos. 

Criei códigos, claro, mas mesmo assim decifraram, leram e descobriram um monte de coisa que eu tinha escrito pra mim.Travei. Não escrevi mais, afinal meus sentimentos foram usados contra mim. Meu passado me condenou… mas, ele que leu, que se virasse com as informações. Falei da boca pra fora, pois eu não teria porque justificar a minha vida. Mas travei.

Eu escrevo pro meu trabalho. E tudo que escrevo preciso revisar mil vezes, e sempre que possível passo pra um revisor. E sou bem consciente dos meus erros. Confundo E com I, O com U, e ainda tem X, S, Z, Ç… e todas as porras das letras que fazem os mesmos fonemas. Sou aérea e vivo no mundo da lua (um pleonasminho básico). Começo uma ideia aqui, me perco e só lembro dela lá no final. Para o trabalho existem regras básicas e tento segui-las… tento.

Algumas semanas atrás me falaram que por eu ser jornalista teria que ser exímia na Língua Portuguesa… e fiquei pensando porque exímia não é com z. Né? E não sou exímia em nada nesta vida, lamento informar.

E eu gosto de escrever, de desabafar, ultimamente desabar mesmo. Não aguento mais tanta tristeza dentro de mim. Tanto medo também. A falta de perspectiva me assombra da hora que levanto até a hora que deito. É culpa do Bolsonaro? É? Também. Mas é culpa de um todo, sabe? A gente vive num mundo fútil, que quando a gente desabafa, nos corrigem a gramática (:/). Não é só isso. E meu pseudônimo não é jornalista, está aqui apenas para desaguar aquilo que eu não posso jorrar pra fora. A censura me mata. 

Claro que outras coisas são temas dos meus textos, mas este escrevi porque eu precisava entender o porquê de não escrever mais. Tenho medo mesmo. E aí os pensamentos estão aqui, guardados de forma abstratas, já que eu tinha por hábito ordenar os sentimentos quando colocados no papel. Então não leiam mais o que escrevo, pois preciso me centrar novamente, se não deixarei de existir.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Aquele casal

Aquele casal de idosos atravessando a rua é muito mais do que apenas um homem e uma mulher de mãos dadas. É história. É um casal. Duas pessoas que misturam suas vidas. Ou quem sabe não. Se conheceram por uma rede social há umas horas e foram atravessar a rua na frente da sanepar. Num bairro industrial antigo de uma cidade normal. Não, claro que não, a intimidade com que ela fala com ele entrega muito mais. Ninguém passeia por ali. Eles estão indo ou voltando a pé. Ela balança os braços contando algumas história. Ele demonstra simpatia pelo que escuta. Será que é a primeira vez que ela conta esta história? Ou é a continuação de algo recorrente. 

Ah, ser um casal de idosos é ter a vida entrelaçada. Não há história sem o outro.

Pode ser que o outro nem esteja no cenário, ou nem possa nem saber que aquela história esteja acontecendo. Ou são história tão banais que se tornam essenciais para se ser um casal de idosos.

Os anos misturam as pessoas. Os gestos, os gostos, as ações, palavras, pensamentos, conhecimentos. Um aprendizado quase que por osmose. Às vezes não sabe algo totalmente, por que saberia. Caso precise saber mais é só ligar e perguntar. Quase que como a outra parte do cérebro. Uma rotina e convivência de contar aquilo que comprou, gastou, conheceu, leu, aprendeu. O que o gato fez, como pulou. Ou um detalhe, como gostar de pisar nas flores coloridas do ipê. E isto servir como referência para um bom dia. Um casal de idosos entende esses sentimentos um no outro. 

E tem tudo que vem em volta do casal. Será que eles têm filhos? Há as lembranças de cada um deles. Desde da gestação, aos primeiros passos, palavras, como foi naquela viagem...a primeira, lembra? O primeiro toque no mar. O carinho dos avós. A família em volta da novidade. E um descobrindo o outro. Redescobrindo. Agora além de casal, há uma mãe e um pai.

É isso. Deve ser isso! O descobrir o outro é a grande mágica do amor. Após as descobertas mais íntimas ainda se quer a companhia? 

Um casal de idosos já se descobriu o suficiente para saber isso. Até porque com uma certa idade não dá pra esconder tudo para manter as aparências. 

E como é bom descobrir. Saber o dia a dia. O lugar que gosta de ir. Onde encostar. O carinho no nariz. O que faz rir. O chocolate nos dias certos. Os livros que mais gostou. As músicas prediletas. Os filmes e personagens. Porque pensa assim ou assado. E ao mesmo tempo perceber as semelhanças. Aquela cena daquele filme que emocionou. Ou o mistério esotérico daquele livro. Entender ética e moral após debates intermináveis. Ou saber que aquela música você jamais vai gostar. Ou que os filmes preto e branco dão sono, assim como futebol. Ele deve ficar de saco cheio das novelas, dos programas de receitas. As séries? Será que eles veem séries. São um casal de idosos. Não sei. 

Mas principalmente, que um continua respirando por causa do outro. Não dá mais para viver sem o outro. A vida se entrelaçou, assim como as mãos deles ao atravessar a rua. Afinal, quem ainda atravessa as ruas de mãos dadas? 

Bem, pode ser isso. Eles parecem um casal moderno. Idosos e elegantes. Ela com o colete imitando couro. Magra. cabelos cor de bronze. Ele de cabelos brancos, jaqueta e calça jeans. Magro também, ou melhor, um pouco acima do peso. Parecem ter 2 filhos no máximo… um neto quem sabe? Pela localização e estilo, parecem ser classe média. Ixe, classe média curitibana. Ele deve ter amante. Uma? Duas? Ah, jamais se separaria da mulher para ter algo sério com as amantes. Um conservador nato. Curitibano. Provavelmente tem uma moto, até pela localização, deve ter levado a moto para arrumar. Será que esta é a primeira esposa dele? Não né? A primeira descobriu um caso dele e deu um chute na bunda, agora ele paga uma boa pensão para ela. Afinal a primeira mulher sabe de coisa demais. Quanto a esta que está com ele agora, ela não é boba não. Parece saber muito bem o que quer. Deve ter tido uns casos. Mas não foi amante dele. Não. Não se casa com amantes, elas sabem demais, pois são o próprio segredo. 

Já devem ter comprado imóveis. Um apartamento em Camboriú ou uma casa em Guaratuba? Caiobá!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Narrativa à deriva

Eis que me sobra um tempo no dia. Não é normal isto acontecer, quase sempre o dia está tomado e quando os compromissos acabam, já existe algo pré combinado, pode ser a produção de uma sopa pra família, uma cerveja com os amigos, um tempo pro marido... coisas do tipo. Ficar sem fazer nada é quase um pecado. Tanto é que não consegui ficar sem nada pra fazer, o simples ato de pensar num papo que tive com o Luiz hj de tarde, no carro, a caminho de uma reunião, me empulsionou a escrever. O assunto: pessoas boas e más. 

Vou começar do começo. Contei que tinha visto que quem nos salvou do escola sem partido foi o Romaneli, que durante um tempo foi um aliado, depois virou um traíra e neste momento os traíras voltaram a ser aliados. Lembrei do Caputo, em reunião contando sobre o clima na ALEP e como está difícil debater qualquer pauta decente naquele ambiente. Ambos eram situação à nossa oposição, porém com a canalhice que se impôs com a atual bancada BBB (bala, boi, bíblia) os vilões viraram mocinhos e os monstros que se apresentam são simplesmente terríveis. 

Ao falar isso o Luiz me contou sobre a criação do romance ou novela, desde que se criou as narrativas (acho que na renascença), vivemos a vida romanceada. As histórias têm começo, meio e fim e somos ou do bem ou do mal. E ao viver assim, somos vilões ou mocinhos. Porém a vida é ampla e complexa. Sendo que nossas histórias não são um texto narrativo, mas ao aprender a conta-las assim, nos colocamos nestes papeis rasos. Refletindo nisso, neste momento de ócio, imagino que ao entrar num processo político angustiante como o de agora, esperamos um final. Mas não há final. As histórias não têm fim e nem somos bons ou maus. (Tá, o Bolsonaro e toda a sua gangue sim).

(...E claro que me chamaram pra fazer alguma coisa, vamos ver se consigo manter a linha que eu gostaria neste texto, afinal, se não tiver um começo, um meio e um fim, ficaremos à deriva sem entender nada...)
Voltando: 

Uma das teorias é que atualmente vivemos dilemas éticos por termos diversos grupos morais compartilhando o mesmo espaço. Caso a gente queira dar prosseguimento aos direitos humanos básicos, é necessário criar um consenso. Também podemos pensar que não é necessário que tanta gente assim viva no mundo, e tem mta gente que pensa assim, neste caso precisamos estabeler uma forma de não nos extinguirmos, e tbm manter um planeta habitável para uma parte da população, privilegiada, claro. Porém nenhuma das duas linhas de pensamento estão sendo seguidas. Em ambas o espaço está sendo destruído. Será pq, talvez, seja mais fácil matar grande parcela da população com a maioria imaginando o fim do mundo e depois se reconstruir em clima de mad max? Mesmo usando o relativismo da moral, em que tudo está certo, teríamos um desastre para todos os níveis da sociedade. E tudo estaria errado? Ou não, quem disse que sabemos o que realmente acontece na matrix? Minha função é questionar, tentando assim ir além da moral vigente, esta frágil que nos resta transformada em moralismo. 

No final das contas não somos seres bons ou maus, mas somos bons e maus. Não fazer para o outro aquilo que não quero que façam para mim é bonito no papel, mas nem sempre o outro tem os mesmos desejos que eu. Pode ser que meu desejo seja dominar o mundo e acabar com 30% da população. Ah, mas isso não é cristão? Oh! bem, o Bolsonaro disse isso e dizem que ele é o próprio Deus encarnado... Gente, sera que Jesus era como o Bolsonaro e reinventaram a história sendo Cristo o maior fakenews de todos os tempos? Mas mesmo se eu quisesse ser uma pessoa diferente do Bolsonaro e não quisesse matar 30% da população, mas tentar deixar as pessoas mais felizes, tranquilas. E quem disse que consigo realmente ter domínio total dos meus sentimentos? Ah, poderia dizer que dos sentimentos não, mas dos atos sim. 

Poderia... mas sabemos que não somos assim. Você é?

E aí todos os atos bons serão anulados pelos maus? Quem sabe isso dependa da moral vigente da nossa sociedade, que atualmente está bem distante da realidade dos nossos sentimentos. Criamos um abismo entre o que somos e aquilo que algum ser transcendental idealizou!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Permissão?

Eu também estou fraca, ou sempre estive, pois sinto vontade de desistir, mas ao mesmo tempo continuar, afinal a diversão da vida é esta adrenalina. 

Sinto necessidade de fazer imagens, é preciso criar estas imagens, estes sonhos. A realidade atual é abstrata! E é construída pela vontade de uma parte da energia. Ou manipulada ou porque é assim mesmo. Será que eu não sabia que as pessoas poderiam ser ruins ou eu fui levada a acreditar que o amor e a gratidão estão presentes em todos? 

Claro que sei que há canalhas… hahaha, como sei! Mas uma multidão assim? ah, tá, claro que é possível haver tantos canalhas, afinal, para ser canalha é só deixar aflorar esta parte prepotente, vaidosa e medrosa, as vezes covarde. É fácil não ver o outro. Muito mais fácil do que nosso discurso de pessoas corretas que ama a humanidade, os cachorrinhos, os gatinhos e as capivaras está acostumado. Tenha o sentimento de pertencimento: um filho, um orgulho, uma paixão…ou tudo isso junto, e poderá compreender que são os pesos das escolhas (nem falo de moral e outros). Como lidar com a instabilidade política? Ideais? 

Ai como sou covarde. Como sou inútil perante toda essa insensatez. O que me salva são as conversas, os sonhos … e o vinho… e a cerveja…um misto de ilusões, pois como vencer algo que nem sei o que é? Parece ser apenas um monstro imaginário que está sendo alimentado por ele mesmo. Pois de alguma forma ele cresceu deste medo. Não é físico, mas um sentimento de que o canalha, ou a canalha, mora ao lado, está à espreita. Esperando você se expor para dar o bote. E se expor é simplesmente contradizer as regras daquele amiguinho gente boa do fascismo: o mercado. Falou algo que eu não gosto!? A empresa é minha e te mando embora!

Quando ouvi a frase tentando lembrar a do Brecht, de que o fascista é o liberal que não deu certo (a frase correta é “Não há nada mais parecido a um fascista do que um burguês assustado"), veio várias faces na minha frente. O liberal nunca dá certo, ele sempre precisa de mais. Nada contenta uma pessoa vazia. Também, as pessoas vazias não criam. Estão mortas. E são como zumbis, precisam nos matar para continuar sua caminhada. 

Eu vivo isso há muito tempo. Não me encaixar numa sociedade empreendedora me faz ser odiada por conseguir me dar bem nela…Eu não preciso de muito dinheiro, ninguém precisa, até porque é ilusório. Existem outras formas de relação, mas é preciso ser muito mais do que um correntista na bolsa, um bancário ou empreendedor pra conseguir viver bem. E eu sei disso, o que me quebra as pernas é ter uma vida estável… quem disse que eu queria uma vida estável? Ela vicia. faz você se entregar pra não perder o tal conforto de saber o dia de amanhã. É isso, preciso sempre saber o dia de amanhã. Gente, mas isso é o que mais odeio, adoro surpresas!