sábado, 6 de agosto de 2011

Como transformar o normal em absurdo


Esta é a manchete do texto 

"Boneca que mama 'no peito' causa controvérsia nos EUA", vc pode entrar no link e ler a matéria. Mas resumindo: foi criada uma boneca que mama no peito. Tem um programa da fox q achou um absurdo e disse q isso estimula a sexualidade.


Alguma semanas atrás, teve um "apresentador" do CQC que disse q as mulheres que amamentam em publico querem mostrar os peitos e etc e tal. 


O foda não é saber que um interesseiro capitalista e um mané q considera inútil a carne em torno do buraco falaram isso. Mas saber que muitas pessoas seguem essa linha de raciocínio. Muitas pessoas veem o ato de amamentar como algo sexual. Eu não entendo como uma pessoa pensa em sexo com os peitos jorrando de leite.


Mas ta tudo virado do avesso. O que é normal virou absurdo. Até o parto normal é quase um crime no Brasil, quem aí fez parto normal? Tudo deve ser instantâneo. Dor... remédio. Um antibiótico pra garantir. Excesso de energia? Um psicólogo com um remédio dá um jeito nisso.


Enquanto isso, a TV nos mostra cenas cada vez mais sensuais e violentas. Ou vc é mal ou bom. Inclusão acima de tudo (incluir? o mundo é que tinha q se excluir). 

Seja economicamente capaz, essa é a unica regra, e qual a moral da história? Poxa, é antigo...

os fins justificam o meio...

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Politicamente correto

Eu desisto, vou procurar um psiquiatra e me tornar um ser normal. Acreditar na religião e na ecologia. Ser uma pessoa politicamente correta. Gostar de todos, para que todos me amem. Mas falar mal por trás. Como muitos.

Tomar remédio pra ser feliz. Ver novela pra viajar e ler um livro de auto-ajuda pra acreditar em mim. Quem sabe me espelhar em algum famoso da TV, encontrar a profissão dos meus sonhos. Ou melhor, comprar o carro do ano, aquele que aparece nas novelas globais. Quem sabe me sinta mais completa por ter uma TV de LCD.
Vou pra balada, conhecer pessoas e procurar minha felicidade. Preciso ser feliz, como naquela propaganda, aquela mesmo. Nas propagandas todos estão satisfeitos.
Não vou jogar lixo na rua, pois esse é o maior problema da poluição. Quando jogo o lixo no cesto um disco voador busca e leva pra um mundo paralelo. Vou usar os papeis dos dois lados, quem sabe assim a fábrica de papel pare de fabricar tantos papeis e até mesmo aquela construtora comece a reutilizar seus flyers. Ou então os mercados e lojas de departamentos anunciem suas promoções apenas por meios eletrônicos, sem ter tantos folhetos espalhados diariamente por aí.
Também não fumarei mais, isso na verdade já deixei de fazer, mas vou proibir todos em minha volta de fumar. Pois esta é a única causa de crianças terem asma, adultos câncer de pulmão e enfisema pulmonar.
Estou cansada de pensar diferente. Desisto de querer mudar de verdade alguma coisa. Se as pessoas são hipócritas, é porque gostam de ser assim. E eu é que estou errada, não posso mais ir contra. Vou aceitar tudo. Acreditar em tudo.
Pois cansei de ir contra a maré!


domingo, 10 de julho de 2011

PEQUENAS MISSES / Rosely Sayão

Filhos só podem ser projeto de vida dos pais se ele for bem mais amplo do que o futuro pessoal da criança 

Já recebi diversas mensagens e pedidos para assistir a um programa de televisão chamado "Pequenas Misses" (Discovery Home&Health). 
O titulo já me fazia imaginar o tipo do programa, e também tinha a lembrança de ter lido alguma crítica na imprensa. Mas, por causa da insistência, decidi assistir.

Era mesmo o reality show que eu imaginava. Entretanto, devo confessar: não esperava ver tudo o que o programa mostra. Você não teve a oportunidade de ver, caro leitor? Pois eu indico. Por quê?

Primeiro, porque é um retrato cruel do tipo de relação que o mundo contemporâneo aponta para os pais estabelecerem com seus filhos. 
Claro que a maioria deles não quer prepará-los, como mostra o programa, para participar de concursos de misses infantis. Mas e se tomarmos o programa como uma pista? Vamos analisar sob essa perspectiva.
E aí, vc acha isto bonito?
As mães e os pais mostrados no programa tratam seus filhos sem o mínimo respeito. As crianças, muito pequenas, são submetidas aos mais diversos tratamentos de beleza "que vão dos cabelos à pele, passando por sessões de bronzeamento artificial"", que são verdadeiras torturas para elas, com idades entre dois e nove anos.

Elas reclamam, apresentam expressões faciais de dor e até de desespero, fogem etc. E qual a reação dos pais frente a essas manifestações dos filhos? Ignorar solenemente. Eles pensam só no que eles próprios querem, nos seus anseios para os seus filhos.

E por que esse querer dos pais é diferente de quando as crianças são levadas ao médico, por exemplo, e apresentam as mesmas reações citadas acima? 
Porque cuidar de uma criança e educá-la, mesmo à sua revelia e ao seu contragosto, é parte do processo de formação de todos e, em especial, de uma sociedade melhor. É assim que mantemos a humanidade e o mundo.

Voltemos ao programa. Os filhos são também submetidos aos mais variados e intensos ensaios cotidianamente: de coreografias, caras e bocas, andar de passarela etc., apenas com o intuito de ter uma boa performance nos desfiles. E, de novo, os filhos recusam, fazem birra, brigam com os pais, que continuam a ignorar seus apelos para dar encaminhamento ao projeto que têm na vida.
Isso nos mostra que os filhos são tratados como posse dos pais. Esses se sentem no direito de agir como querem, sem considerar que a criança tem direitos que devem ser respeitados. 

Entre tais direitos, cito dois apenas: o de viver a infância e o de ser visto como um ser humano em formação que é distinto dos seus pais. Será que os pais do programa são muito diferentes daqueles que querem que os filhos aprendam precocemente, em vez de brincar? Daqueles que enchem a agenda dos filhos com aulas de todos os tipos?

Dos que procuram definir o futuro dos filhos do modo como eles arquitetam?
Creio que a diferença reside apenas em um ponto: os pais mostrados no programa agem de modo grotesco, enquanto os outros sempre parecem bem-intencionados aos olhos dos outros, da sociedade em geral. Mas, em todos os casos, os filhos são quase que ignorados em sua existência.

Os filhos só podem ser encarados como um projeto de vida dos pais se esse projeto for bem mais amplo do que o futuro pessoal da criança. 
Educar um filho para que ele contribua para a vida ética, para que tenha autonomia, para que aprenda a ter respeito próprio e ao outro, por exemplo, pode, sim, ser um projeto de vida dos pais.

Mas isso supõe olhar para o filho, ouvir o que ele comunica mesmo em silêncio, relacionar-se com ele afetivamente para ensiná-lo a se tornar um ser humano livre, autônomo e que tem amor à vida. 


ROSELY SAYÃO é psicóloga e autora de "Como Educar Meu Filho?" (Publifolha)

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Cuidado com o sol.

Cuidado com o sol.
Obsessão do nosso tempo.
Eu considero exagerado, sempre achei que havia algo por trás deste cuidado exacerbado, como passar protetor de 2 em 2 horas, ou em dia de chuva, é piada. E tenho encontrado ecos, segue texto de Luiz Geremias, meu amado, que por acaso me cita como a amada que o fez passar protetor...



Cuidado com o sol, cuidado com a sombra


Introdução memorial


O sol sempre foi entendido e tratado como nosso amigo, mas sempre houve restrições. Quando era criança, eu passava boa parte do tempo ouvindo que deveria “tomar” sol pela manhã, pois era mais saudável. O sol do meio-dia era proibido, terminantemente. No entanto, só me lembro de ter tomado sol cedo, bem cedo, quando era muito pequeno, meus pais me levavam, ou quando ia às sete da manhã para a praia na intenção de aproveitar as ondas que, segundo diziam, eram as melhores. E fiz isso muito pouco. 


O sol existia, para mim, a partir das dez da manhã. Nos tempos de férias escolares, ia a essa hora para a praia e só voltava tarde, às vezes às sete da noite. Não era exatamente o sol que me atraía, mas o mar. Esse era o meu fascínio e eu chegava a acordar de madrugada após pesadelos com ondas. A que vinha “lá trás” era sempre a maior vilã. Há ondas que pareciam ter nascido no outro lado do mundo, tal o tamanho e a distância da praia que escolhiam para “quebrar”. Tomei muito caldo, levei muita “vaca” tentando furá-las ou mesmo “pegá-las” no jacaré. Eram o meu terror e fascínio, as “rainhas”. 


O sol sempre estava ali, seja aberto, escaldantemente quente, ou encoberto, quando, por detrás das nuvens, ficava nos assando lentamente. Um dos motivos que me levava a ficar tanto no mar, não o principal, era o sol. Ficar na areia correspondia a me sentir como se um maçarico estivesse, incansavelmente, me fritando. Lembro que me assombrava com aquela gente, geralmente mulheres, que ficava lá na areia quente, lá em cima, longe do mar. O sol era muito quente, a areia muito quente, não havia como sobreviver ali. Mas tinha gente que conseguia, tudo em nome de um belo bronzeado ou de queimaduras que faziam a pessoa pensar em dormir num cabide. 


No início do verão, lá pelo meio de dezembro, começava a temporada de praia. E até março, quando voltavam as aulas, eu só vivia na praia. Minha vida era a praia, o sol, o mar. Sempre, nos primeiros dias, eu ficava esturricado de sol. Geralmente vermelho, muito vermelho, depois marrom, até que começavam as bolhas na pele que, em seguida, descascava. Eu nem ligava, queimava de novo, sobre a pele descascada. Aí, não descascava mais. Só ia voltar à cor natural, quando isso acontecia, lá por junho, no inverno. 



Corpo: inimigo número 1


Tomei muito sol, nunca passei protetor solar nenhum. Ou, mais precisamente, passei, por insistência de minha amada Karina. Se ela acha que é bom, por que eu não acharia? Mas, não gosto. 


Hoje, usar protetor solar é uma obsessão para todos. Trata-se, no meu ponto de vista, da mercantilização dos procedimentos de saúde, sempre havendo um produto para resolver o que o corpo não resolve. Tudo bem, no caso de doenças eu até entendo. Mas não falamos de doença, mas do sol e, para falar delas, toca-se no assunto de forma escandalosa e ameaçadora, no melhor estilo descrito no livro “A Cultura do Medo”, de Barry Glassner. Se você não usar o protetor, envelhecerá mais rapidamente, terá queimaduras terríveis e (ameaça máxima da contemporaneidade) desenvolverá câncer. Somente o protetor te salvará, se usado diariamente, de modo a que você tenha que comprar um a cada dois dias. Este é o sentido mais precioso do protetor, não exatamente a proteção. 


E sabemos que está sendo investigada, pelo poder público, a eficácia anunciada por esses produtos, com indícios de fraudes na composição e propaganda enganosa. Em 2009, matéria do paulistano Jornal da Tarde já falava sobre os engodos e, mais recentemente, foi publicada no jornal curitibano Gazeta do Povo reportagem que também dá conta de que as autoridades andam desvendando alguns truques usados para a venda de proteção contra o sol. 


Aliás, o que se inventa e comercializa de produtos contra a natureza ou os ciclos naturais não é brincadeira. O corpo parece o nosso inimigo número 1, que o digam as tatuagens e perfurações diversas, além dos contraceptivos e reguladores intestinais. 



Dois consumos


Tá certo usar o protetor em casos extremos, quando você viaja para um recanto paradisíaco cheio de sol e com um lindo mar azul. E se você faz isso é, geralmente, porque mora numa cidade na qual o sol só comparece de vez em quando, fica um pouco e parte rapidamente, como médico de serviço público. Aí, você pensa bem e entende que sua pele está mais branca do que neve. Calcula o impacto que a bola de fogo solar terá sobre ela e conclui que pode usar um produto para impedir um estrago acima do esperado. Aí, tudo bem, é consumo consciente. Mas, usar protetor solar todos os dias? Quem sabe renovando a camada a cada meia-hora? Bem, isso é consumo, só. 


A diferença entre um tipo de consumo e outro está no fato de que um parte de uma pessoa que adquiriu uma identidade, enquanto o outro é movido por uma pessoa bem identificada com todas as mensagens publicitárias que lhe dizem, a cada minuto, quem ela é ou deve ser. E incluo na publicidade, nesse caso, muitos dos pareceres médicos. 


Cuidado com a sombra


Mas, afinal, pobre cidadão urbano. São tantas ameaças, a fumaça do cigarro do vizinho, a gordura trans, transgênicos, coliformes, bactérias, vírus, hormônios, a violência, o fisco, o rapa, o Talarico e, finalmente, o sol. Parece preciso monitorar essas ameaças e convertê-las em fonte de recursos para a criação de novas ameaças e soluções, num moto contínuo. Assim se move o capitalismo pós-industrial. Agindo no mote da produção destrutiva, gere o medo como forma de infantilizar e, com isso, consegue vender seus produtos a pessoas que parecem andar precavidas contra a própria sombra. 


Afinal, pense, é graças a você que a sua sombra não toma sol. É você quem compra um suprimento de protetores, se expõe às radiações ultravioleta, enfrenta os raios UVA e UVB e ela ali, sempre atrás, sem riscos, livre do câncer de pele. 


O problema é que quando alguém começa a pensar assim, seja em relação a sombras ou pessoas, é sinal de que já se transformou numa sombra de si mesmo.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

É impressão minha, ou estamos sendo enganados?


Eu já tinha ouvido falar disso. Não dei mta bola, afinal, até agora não me encheu o saco. Mas acho que pode começar a encher. E Então, mas uma vez não dará em nada. O que se pode fazer nesta situação? É foda!
01 de Julho de 2011
Tecnologia

Nova tomada elétrica brasileira torna-se obrigatória hoje

Desde esta sexta-feira, está proibida a venda de aparelhos sem a nova tomada elétrica brasileira. O desrespeito à regra pode acarretar multa de até R$ 1,5 milhão

Logotipo Exame.com  A nova tomada elétrica brasileira, que é incompatível com as que são usadas em outros países e com boa parte dos aparelhos em uso no país, torna-se obrigatória a partir de hoje, 1º de julho. A empresa que for pega vendendo aparelhos elétricos com tomadas diferentes do padrão oficial pode ser multada em até R$ 1,5 milhão.
O novo padrão foi desenvolvido por um grupo coordenado pela Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) e integrado por fabricantes de aparelhos elétricos e de plugues e tomadas. Estes últimos são os principais interessados na troca, já que ela deve gerar um grande volume de vendas de adaptadores e de tomadas.

Para o consumidor, a vantagem da nova tomada é que ela reduz as chances de choques elétricos ao conectar um aparelho. A posição rebaixada dos orifícios torna impossível, à pessoa, tocar nos pinos quando eles estiverem energizados. Mas o novo desenho não acaba com o problema de existirem duas tensões residenciais em uso no Brasil – 110 e 220 volts – com o mesmo modelo de tomada.
Na contramão - O novo padrão foi inspirado numa norma da International Electrotechnical Commision (IEC 60906-1), mas não é totalmente compatível com ela. A IEC especifica a tomada com dois ou três pinos redondos e formato sextavado similar ao adotado no Brasil, mas apenas para redes de 220 ou 230 volts. Para 110 ou 120 volts, a indicação da IEC é o uso de pinos chatos, como os empregados nos Estados Unidos e no Japão. Na contramão da norma internacional, a comissão da ABNT adotou desenhos idênticos para as duas tensões. Assim, continua existindo o risco de alguém queimar um aparelho de 110 volts ao ligá-lo, acidentalmente, a uma tomada de 220 volts. 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Uma aventura emocionante e exaustiva

uma mulher consegue entender cada vírgula deste texto!!!!


Quando você TEM  que ir ao banheiro público, você encontra uma fila de mulheres, que faz você pensar que o Bradd Pitt deve estar lá dentro. Você se resigna e espera, sorrindo para as outras mulheres que também estão com braços e pernas cruzados na posição oficial de "estou me mijando".
Finalmente chega a sua vez, isso, se não entrar a típica mamãe com a menina que não pode mais se segurar.
Você, então verifica cada cubículo por debaixo da porta para ver se há pernas.
Todos estão ocupados.
Finalmente, um se abre e você se lança em sua direção quase puxando a pessoa que está saindo.
Você entra e percebe que o trinco não funciona (nunca funciona); não importa... você pendura a bolsa no gancho que há na porta e se não há gancho (quase nunca há gancho), você inspeciona a área.. o chão está cheio de líquidos não identificados e você não se atreve a deixar a bolsa ali, então você a pendura no pescoço enquanto observa como ela balança sob o teu corpo, sem contar que você é quase decapitada pela alça porque a bolsa está cheia de bugigangas que você foi enfiando lá dentro, a maioria das quais você não usa, mas que você guarda porque nunca se sabe...
Mas, voltando à porta...
Como não tinha trinco, a única opção é segurá-la com uma mão, enquanto, com a outra, abaixa a calcinha com um puxão e se coloca "na posição".
Alívio...... AAhhhhhh.....finalmente...
Aí é quando os teus músculos começam a tremer ....
Porque você está suspensa no ar, com as pernas flexionadas e a calcinha cortando a circulação das pernas, o braço fazendo força contra a porta e uma bolsa de 5 kg pendurada no pescoço.
Você adoraria sentar, mas não teve tempo de limpar o assento nem de cobrir o vaso com papel higiênico. No fundo, você acredita que nada vai acontecer, mas a voz de tua mãe ecoa na tua cabeça "jamais sente em um banheiro público!!!" e, assim, você mantém "a posição" com o tremor nas pernas...
E, por um erro de cálculo na distância, um jato finíssimo salpica na tua própria bunda e molha até tuas meias!! Por sorte, não molha os sapatos. Adotar "a posição" requer grande concentração. Para tirar essa desgraça da cabeça, você procura o rolo de papel higiênico, maaassss, para variar, o rolo está vazio...! Então você pede aos céus para que, nos 5 kg de bugigangas que você carrega na bolsa, haja pelo menos um miserável lenço de papel. Mas, para procurar na bolsa, você tem que soltar a porta. Você pensa por um momento, mas não há opção...
E, assim que você solta a porta, alguém a empurra e você tem que freiá-la com um movimento rápido e brusco enquanto grita OCUPAAADOOOO!!!
Aí, você considera que todas as mulheres esperando lá fora ouviram o recado e você pode soltar a porta sem medo, pois ninguém tentará abrí-la novamente (nisso, nós, as mulheres, nos respeitamos muito) e você pode procurar seu lenço sem angústia. Você gostaria de usar todos, mas quão valiosos são em casos similares e você guarda um, por via das dúvidas. Você então começa a contar os segundos que faltam para você sair dali, suando porque você está vestindo o casaco já que não há gancho na porta ou cabide para pendurá-lo. É incrível o calor que faz nestes lugares tão pequenos e nessa posição de força que parece que as coxas e panturrilhas vão explodir. Sem falar do soco que você levou da porta, a dor na nuca pela alça da bolsa, o suor que corre da testa, as pernas salpicadas...
A lembrança de sua mãe, que estaria morrendo de vergonha se a visse assim, porque sua bunda nunca tocou o vaso de um banheiro público, porque, francamente, "você não sabe que doenças você pode pegar ali"
... você está exausta. Ao ficar de pé você não sente mais as pernas. Você acomoda a roupa rapidíssimo e tira a alça da bolsa por cima da cabeça!...
Você, então, vai à pia lavar as mãos. Está tudo cheio de água, então você não pode soltar a bolsa nem por um segundo. Você a pendura em um ombro, e não sabendo como funciona a torneira automática, você a toca até que consegue fazer sair um filete de água fresca e estende a mão em busca de sabão. Você se lava na posição de corcunda de notre dame para não deixar a bolsa escorregar para baixo do filete de água... O secador, você nem usa. É um traste inútil, então você seca as mãos na roupa porque nem pensar usar o último lenço de papel que sobrou na bolsa para isso.
Você então sai. Sorte se um pedaço de papel higiênico não tiver grudado no sapato e você sair arrastando-o, ou pior, a saia levantada, presa na meia-calça, que você teve que levantar à velocidade da luz, deixando tudo à mostra!

Nesse momento, você vê o seu amigo que entrou e saiu do banheiro masculino e ainda teve tempo de sobra para ler um livro enquanto esperava por você.

"Por que você demorou tanto?"
pergunta o idiota.
Você se limita a responder
"A fila estava enorme"

E esta é a razão porque nós, as mulheres, vamos ao banheiro em grupo. Por solidariedade, já que uma segura a tua bolsa e o casaco, a outra segura a porta e assim fica muito mais simples e rápido já que você só tem que se concentrar em manter "a posição" e a dignidade.
Obrigada a todas as amigas que já me acompanharam ao banheiro.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

É cada uma que a gente escuta...

Por Luiz Geremias


Andei por aí, perguntando aqui e ali, sobre o que aconteceu na passagem dos meses de novembro e dezembro no Rio de Janeiro. Ouvi de tudo. De elegias às unidades pacificadoras, às UPPs, até absurdos, como o que relato em seguida.

Um amigo maldoso me disse, diretamente do Rio, que a última palavra sobre a tal “guerra do Rio” do fim do ano ainda não foi dada. Segundo ele, que, tudo indica, crê ter essa última palavra na manga, o que ocorre é uma estratégia comercial, puramente pautada por interesses econômicos.

As tais UPPs, segundo o cético, não têm nada a ver com nada na história. Seriam como os CIEPS: com boa visibilidade e elevada moral, mas, na prática, não passam de ocupações policiais em um pequeno número de comunidades pobres.

O pernóstico amigo do Rio me garante que Garotinho chegou perto na conclusão, mas não disse tudo. Ou não sabe tudo, para ele.

Na prática, haveria uma arrecadação maior por parte dos traficantes, mas de determinados traficantes. Outros, estariam, como Garotinho disse, sendo intimidados e devem, se possível, ser dizimados. Tudo em nome, veja você, de “um verdadeiro fim” da guerra nas favelas via o estabelecimento não de um Estado paralelo, como a imprensa diz quando trata das quadrilhas desorganizadas das favelas, mas de um Estado unificado na gestão do crime.

Difícil acreditar nisso, respondi ao amigo. Estaríamos falando de uma nova e maquiavélica – no mau sentido – estratégia política para a resolução do problema: não haveria mais “poder paralelo”, mas somente um poder, tomando conta, inclusive, do comércio de drogas. Um Estado não pode fazer isso, garanti. Por mais que se imagine que a imprensa faça ouvidos de mercador, ou que seja comprada facilmente, por mais que se imagine isso, não haveria como deter que alguém, como ele, o amigo carioca, percebesse a trama e fosse atrás de indícios.

E mais: seria uma inimaginável insensatez, uma abominável postura aética que não se pode sequer imaginar. Levantar essa hipótese é possível. Mas, seguir nela é loucura, assegurei.

“Você é um tolo”, disse ele. “Acredita em Papai Noel e coelhinho da Páscoa”, falou. “Eu, por mim, vou ver se consigo entrar nessa. Quem sabe se crie uma secretaria para gerenciar os negócios”, disse, zombeteiro. Antes de bater o telefone na minha cara, sentenciou: “Lembra que o governador defendeu a liberação da maconha no início do governo? Pois está fazendo isso. Nós, cariocas, somos inovadores, mané”. E desligou, aparentemente cheio de si. 

Fiquei estupefato ao saber que alguém pode imaginar tamanho absurdo. 

A imagem do início do texto é para você que leu este texto até aqui e resolveu "pensar" que meu amigo pode até "ter alguma razão".