sábado, 11 de janeiro de 2025

O fim do mundo será compartilhado

O argumento usado por pessoas ditas progressistas, ou de esquerda, para justificar ter um iPhone, com base na ideia de que o objetivo é distribuir riquezas, me gera algumas dúvidas. Antes de mais nada, vale dizer que, nesta praça de guerra em que vivemos, sou a favor de que todas as pessoas tenham dignidade e de que nada impeça o acesso delas ao bem-estar.


Mas aí surge uma questão: se todo mundo tiver um iPhone, não teremos um problema ambiental? E ainda, esses iPhones continuariam com obsolescência programada, como ocorre atualmente? Ou poderíamos usá-los por 10, 20 anos? Quem sabe, como era com os antigos PCs, bastaria trocar algumas peças para atualizá-los com as novas tecnologias?


Outro ponto, igualmente importante: quem produziria esse volume de iPhones? Antes de respondermos a isso, é preciso resolver as primeiras questões. Porque, imagine, pra trocar de iPhone anualmente, é necessário extrair enormes quantidades de matéria-prima, trabalho também não faltaria, principalmente na extração e produção. Não na área de marketing? Pra quê convencer alguém a comprar algo que todo mundo já tem?


Por fim, quero deixar claro: meu desejo é que não precisemos de iPhones ou de qualquer outro smartphone ou produto descartável. Enquanto não encararmos esse mar de produtos como lixo — porque é isso que eles viram em tão pouco tempo —, nem mesmo uma luta de classes terá utilidade. Ou o objetivo é acelerar a destruição do mundo com todo mundo filmando e compartilhando?


Por mim, tudo bem. Assim, quando chegar a próxima atualização do celular, talvez o mundo já tenha acabado e eu não precise trocar de aparelho, tá ficando velhinho, coitado.

sexta-feira, 29 de novembro de 2019

escritas abstratas

Eu sempre gostei de escrever, mas nunca fui uma pessoa estudiosa. Lia bastante e tinha noção da nossa língua portuguesa, mas me confundia com regras ortográficas ou de sintaxe, ou tudo junto misturado. Fiz diários, e, com a adolescência que tive, deve-se ter ideia que o conteúdo desses caderninhos não eram assim tão básicos. 

Criei códigos, claro, mas mesmo assim decifraram, leram e descobriram um monte de coisa que eu tinha escrito pra mim.Travei. Não escrevi mais, afinal meus sentimentos foram usados contra mim. Meu passado me condenou… mas, ele que leu, que se virasse com as informações. Falei da boca pra fora, pois eu não teria porque justificar a minha vida. Mas travei.

Eu escrevo pro meu trabalho. E tudo que escrevo preciso revisar mil vezes, e sempre que possível passo pra um revisor. E sou bem consciente dos meus erros. Confundo E com I, O com U, e ainda tem X, S, Z, Ç… e todas as porras das letras que fazem os mesmos fonemas. Sou aérea e vivo no mundo da lua (um pleonasminho básico). Começo uma ideia aqui, me perco e só lembro dela lá no final. Para o trabalho existem regras básicas e tento segui-las… tento.

Algumas semanas atrás me falaram que por eu ser jornalista teria que ser exímia na Língua Portuguesa… e fiquei pensando porque exímia não é com z. Né? E não sou exímia em nada nesta vida, lamento informar.

E eu gosto de escrever, de desabafar, ultimamente desabar mesmo. Não aguento mais tanta tristeza dentro de mim. Tanto medo também. A falta de perspectiva me assombra da hora que levanto até a hora que deito. É culpa do Bolsonaro? É? Também. Mas é culpa de um todo, sabe? A gente vive num mundo fútil, que quando a gente desabafa, nos corrigem a gramática (:/). Não é só isso. E meu pseudônimo não é jornalista, está aqui apenas para desaguar aquilo que eu não posso jorrar pra fora. A censura me mata. 

Claro que outras coisas são temas dos meus textos, mas este escrevi porque eu precisava entender o porquê de não escrever mais. Tenho medo mesmo. E aí os pensamentos estão aqui, guardados de forma abstratas, já que eu tinha por hábito ordenar os sentimentos quando colocados no papel. Então não leiam mais o que escrevo, pois preciso me centrar novamente, se não deixarei de existir.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Aquele casal

Aquele casal de idosos atravessando a rua é muito mais do que apenas um homem e uma mulher de mãos dadas. É história. É um casal. Duas pessoas que misturam suas vidas. Ou quem sabe não. Se conheceram por uma rede social há umas horas e foram atravessar a rua na frente da sanepar. Num bairro industrial antigo de uma cidade normal. Não, claro que não, a intimidade com que ela fala com ele entrega muito mais. Ninguém passeia por ali. Eles estão indo ou voltando a pé. Ela balança os braços contando algumas história. Ele demonstra simpatia pelo que escuta. Será que é a primeira vez que ela conta esta história? Ou é a continuação de algo recorrente. 

Ah, ser um casal de idosos é ter a vida entrelaçada. Não há história sem o outro.

Pode ser que o outro nem esteja no cenário, ou nem possa nem saber que aquela história esteja acontecendo. Ou são história tão banais que se tornam essenciais para se ser um casal de idosos.

Os anos misturam as pessoas. Os gestos, os gostos, as ações, palavras, pensamentos, conhecimentos. Um aprendizado quase que por osmose. Às vezes não sabe algo totalmente, por que saberia. Caso precise saber mais é só ligar e perguntar. Quase que como a outra parte do cérebro. Uma rotina e convivência de contar aquilo que comprou, gastou, conheceu, leu, aprendeu. O que o gato fez, como pulou. Ou um detalhe, como gostar de pisar nas flores coloridas do ipê. E isto servir como referência para um bom dia. Um casal de idosos entende esses sentimentos um no outro. 

E tem tudo que vem em volta do casal. Será que eles têm filhos? Há as lembranças de cada um deles. Desde da gestação, aos primeiros passos, palavras, como foi naquela viagem...a primeira, lembra? O primeiro toque no mar. O carinho dos avós. A família em volta da novidade. E um descobrindo o outro. Redescobrindo. Agora além de casal, há uma mãe e um pai.

É isso. Deve ser isso! O descobrir o outro é a grande mágica do amor. Após as descobertas mais íntimas ainda se quer a companhia? 

Um casal de idosos já se descobriu o suficiente para saber isso. Até porque com uma certa idade não dá pra esconder tudo para manter as aparências. 

E como é bom descobrir. Saber o dia a dia. O lugar que gosta de ir. Onde encostar. O carinho no nariz. O que faz rir. O chocolate nos dias certos. Os livros que mais gostou. As músicas prediletas. Os filmes e personagens. Porque pensa assim ou assado. E ao mesmo tempo perceber as semelhanças. Aquela cena daquele filme que emocionou. Ou o mistério esotérico daquele livro. Entender ética e moral após debates intermináveis. Ou saber que aquela música você jamais vai gostar. Ou que os filmes preto e branco dão sono, assim como futebol. Ele deve ficar de saco cheio das novelas, dos programas de receitas. As séries? Será que eles veem séries. São um casal de idosos. Não sei. 

Mas principalmente, que um continua respirando por causa do outro. Não dá mais para viver sem o outro. A vida se entrelaçou, assim como as mãos deles ao atravessar a rua. Afinal, quem ainda atravessa as ruas de mãos dadas? 

Bem, pode ser isso. Eles parecem um casal moderno. Idosos e elegantes. Ela com o colete imitando couro. Magra. cabelos cor de bronze. Ele de cabelos brancos, jaqueta e calça jeans. Magro também, ou melhor, um pouco acima do peso. Parecem ter 2 filhos no máximo… um neto quem sabe? Pela localização e estilo, parecem ser classe média. Ixe, classe média curitibana. Ele deve ter amante. Uma? Duas? Ah, jamais se separaria da mulher para ter algo sério com as amantes. Um conservador nato. Curitibano. Provavelmente tem uma moto, até pela localização, deve ter levado a moto para arrumar. Será que esta é a primeira esposa dele? Não né? A primeira descobriu um caso dele e deu um chute na bunda, agora ele paga uma boa pensão para ela. Afinal a primeira mulher sabe de coisa demais. Quanto a esta que está com ele agora, ela não é boba não. Parece saber muito bem o que quer. Deve ter tido uns casos. Mas não foi amante dele. Não. Não se casa com amantes, elas sabem demais, pois são o próprio segredo. 

Já devem ter comprado imóveis. Um apartamento em Camboriú ou uma casa em Guaratuba? Caiobá!


segunda-feira, 10 de junho de 2019

Narrativa à deriva

Eis que me sobra um tempo no dia. Não é normal isto acontecer, quase sempre o dia está tomado e quando os compromissos acabam, já existe algo pré combinado, pode ser a produção de uma sopa pra família, uma cerveja com os amigos, um tempo pro marido... coisas do tipo. Ficar sem fazer nada é quase um pecado. Tanto é que não consegui ficar sem nada pra fazer, o simples ato de pensar num papo que tive com o Luiz hj de tarde, no carro, a caminho de uma reunião, me empulsionou a escrever. O assunto: pessoas boas e más. 

Vou começar do começo. Contei que tinha visto que quem nos salvou do escola sem partido foi o Romaneli, que durante um tempo foi um aliado, depois virou um traíra e neste momento os traíras voltaram a ser aliados. Lembrei do Caputo, em reunião contando sobre o clima na ALEP e como está difícil debater qualquer pauta decente naquele ambiente. Ambos eram situação à nossa oposição, porém com a canalhice que se impôs com a atual bancada BBB (bala, boi, bíblia) os vilões viraram mocinhos e os monstros que se apresentam são simplesmente terríveis. 

Ao falar isso o Luiz me contou sobre a criação do romance ou novela, desde que se criou as narrativas (acho que na renascença), vivemos a vida romanceada. As histórias têm começo, meio e fim e somos ou do bem ou do mal. E ao viver assim, somos vilões ou mocinhos. Porém a vida é ampla e complexa. Sendo que nossas histórias não são um texto narrativo, mas ao aprender a conta-las assim, nos colocamos nestes papeis rasos. Refletindo nisso, neste momento de ócio, imagino que ao entrar num processo político angustiante como o de agora, esperamos um final. Mas não há final. As histórias não têm fim e nem somos bons ou maus. (Tá, o Bolsonaro e toda a sua gangue sim).

(...E claro que me chamaram pra fazer alguma coisa, vamos ver se consigo manter a linha que eu gostaria neste texto, afinal, se não tiver um começo, um meio e um fim, ficaremos à deriva sem entender nada...)
Voltando: 

Uma das teorias é que atualmente vivemos dilemas éticos por termos diversos grupos morais compartilhando o mesmo espaço. Caso a gente queira dar prosseguimento aos direitos humanos básicos, é necessário criar um consenso. Também podemos pensar que não é necessário que tanta gente assim viva no mundo, e tem mta gente que pensa assim, neste caso precisamos estabeler uma forma de não nos extinguirmos, e tbm manter um planeta habitável para uma parte da população, privilegiada, claro. Porém nenhuma das duas linhas de pensamento estão sendo seguidas. Em ambas o espaço está sendo destruído. Será pq, talvez, seja mais fácil matar grande parcela da população com a maioria imaginando o fim do mundo e depois se reconstruir em clima de mad max? Mesmo usando o relativismo da moral, em que tudo está certo, teríamos um desastre para todos os níveis da sociedade. E tudo estaria errado? Ou não, quem disse que sabemos o que realmente acontece na matrix? Minha função é questionar, tentando assim ir além da moral vigente, esta frágil que nos resta transformada em moralismo. 

No final das contas não somos seres bons ou maus, mas somos bons e maus. Não fazer para o outro aquilo que não quero que façam para mim é bonito no papel, mas nem sempre o outro tem os mesmos desejos que eu. Pode ser que meu desejo seja dominar o mundo e acabar com 30% da população. Ah, mas isso não é cristão? Oh! bem, o Bolsonaro disse isso e dizem que ele é o próprio Deus encarnado... Gente, sera que Jesus era como o Bolsonaro e reinventaram a história sendo Cristo o maior fakenews de todos os tempos? Mas mesmo se eu quisesse ser uma pessoa diferente do Bolsonaro e não quisesse matar 30% da população, mas tentar deixar as pessoas mais felizes, tranquilas. E quem disse que consigo realmente ter domínio total dos meus sentimentos? Ah, poderia dizer que dos sentimentos não, mas dos atos sim. 

Poderia... mas sabemos que não somos assim. Você é?

E aí todos os atos bons serão anulados pelos maus? Quem sabe isso dependa da moral vigente da nossa sociedade, que atualmente está bem distante da realidade dos nossos sentimentos. Criamos um abismo entre o que somos e aquilo que algum ser transcendental idealizou!

terça-feira, 20 de novembro de 2018

Permissão?

Eu também estou fraca, ou sempre estive, pois sinto vontade de desistir, mas ao mesmo tempo continuar, afinal a diversão da vida é esta adrenalina. 

Sinto necessidade de fazer imagens, é preciso criar estas imagens, estes sonhos. A realidade atual é abstrata! E é construída pela vontade de uma parte da energia. Ou manipulada ou porque é assim mesmo. Será que eu não sabia que as pessoas poderiam ser ruins ou eu fui levada a acreditar que o amor e a gratidão estão presentes em todos? 

Claro que sei que há canalhas… hahaha, como sei! Mas uma multidão assim? ah, tá, claro que é possível haver tantos canalhas, afinal, para ser canalha é só deixar aflorar esta parte prepotente, vaidosa e medrosa, as vezes covarde. É fácil não ver o outro. Muito mais fácil do que nosso discurso de pessoas corretas que ama a humanidade, os cachorrinhos, os gatinhos e as capivaras está acostumado. Tenha o sentimento de pertencimento: um filho, um orgulho, uma paixão…ou tudo isso junto, e poderá compreender que são os pesos das escolhas (nem falo de moral e outros). Como lidar com a instabilidade política? Ideais? 

Ai como sou covarde. Como sou inútil perante toda essa insensatez. O que me salva são as conversas, os sonhos … e o vinho… e a cerveja…um misto de ilusões, pois como vencer algo que nem sei o que é? Parece ser apenas um monstro imaginário que está sendo alimentado por ele mesmo. Pois de alguma forma ele cresceu deste medo. Não é físico, mas um sentimento de que o canalha, ou a canalha, mora ao lado, está à espreita. Esperando você se expor para dar o bote. E se expor é simplesmente contradizer as regras daquele amiguinho gente boa do fascismo: o mercado. Falou algo que eu não gosto!? A empresa é minha e te mando embora!

Quando ouvi a frase tentando lembrar a do Brecht, de que o fascista é o liberal que não deu certo (a frase correta é “Não há nada mais parecido a um fascista do que um burguês assustado"), veio várias faces na minha frente. O liberal nunca dá certo, ele sempre precisa de mais. Nada contenta uma pessoa vazia. Também, as pessoas vazias não criam. Estão mortas. E são como zumbis, precisam nos matar para continuar sua caminhada. 

Eu vivo isso há muito tempo. Não me encaixar numa sociedade empreendedora me faz ser odiada por conseguir me dar bem nela…Eu não preciso de muito dinheiro, ninguém precisa, até porque é ilusório. Existem outras formas de relação, mas é preciso ser muito mais do que um correntista na bolsa, um bancário ou empreendedor pra conseguir viver bem. E eu sei disso, o que me quebra as pernas é ter uma vida estável… quem disse que eu queria uma vida estável? Ela vicia. faz você se entregar pra não perder o tal conforto de saber o dia de amanhã. É isso, preciso sempre saber o dia de amanhã. Gente, mas isso é o que mais odeio, adoro surpresas!

segunda-feira, 26 de março de 2018

seu COMUNISTA


- Ah, mas você é comunista!
 - Cara, como assim? Como é possível ser comunista num mundo como o nosso? Tudo que está em nossa volta é fruto do capitalismo. Não há saída. Tudo foi capturado. Até os comunistas, que só conseguem viver cercados de luxo e defendem o uso do iphone como se não houvesse outra opção, e realmente não há. O mundo é capitalista. Pronto. Acabou, é isso. A guerra fria acabou e vcs venceram.
- Ah, mas o estado controla as pessoas? Pagamos mtos impostos!
 - Sério! o que vc espera do sistema capitalista? Gente boazinha fazendo doação para que todos tivessem a mesma linha de partida? Lamento meu caro, mas de utopia eu entendo. Capitalismo é ganhar dinheiro. Quem lucra mais, pode mais. Poder! Controle. O que vcs esperavam? Quem tem dinheiro controla o poder e vc, meu caro colega classe média empreendedor, é só mais uma peça no tabuleiro. Se não seguir os comandos, será descartado. Como o iphone do comunista. Afinal, capitalismo é isso: não serve? descarta. Faz outro. Matéria prima? Tem aos montes por aí. Ah, leis? Propina...ah, escândalo? corrupção? faz filminho, joga meme, jornal...distrai o povo que a roda da fortuna não pode parar.

E eu? bem, eu só queria ter uma casa no campo pra poder conversar com minha alma com mais calma. Ser algo além de uma profissão, um título, um número. Não tive essa oportunidade e ela parece estar cada vez mais distante.

Não há paz quando o mundo precisa de donos e a alma não se cala, ela grita que tá tudo errado. A voz do pastor não me engana. A voz da tv não me engana. As linhas não me enganam. E nem eu mais tenho esse poder.

O que somos está além da profissão e dos títulos, da matéria capitalista, da utopia da dignidade humana. O que somos está na alma e não se nomeia esta força!

terça-feira, 30 de janeiro de 2018

O olhar ao outro que recai em mim


Nada escapa da santa inquisição. Hábitos sociais medíocres são alvo de desmoralização perante a nobre presença. O olhar sobre o banal ou corriqueiro afasta a possibilidade de qualquer aproximação. Vários itens estão na lista do homem comum incompatível com o olhar inquisidor: cerveja, barba, rock, arnaldo antunes, frases de efeito relativas ao que mais se sonha e menos defini-se: liberdade. Ué, mas que sonho mais besta de se sonhar: liberdade no mundo do consumo? 

Ué, sem sonho não há vida, apenas realidade. As amarras, quando conhecidas, não nos deixam a liberdade do voar, um viva à diversão mundana, que é o nos sobra para passar esses infinitos anos que nos são impostos. Serei eu, que apenas a barba não uso por questões biológicas, destruída em meu castelo, me colocando diariamente contra a parede: até quando aguentarei ser algo que nem sei se consigo mais construir? Não me pese a alma mais do que já é, pois sou retalhos daquilo e mais disso, e nem sempre o disso sobrevive sem o daquilo. 

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

O Foco e a Fé


O foco não é o mesmo, simplesmente isso. Deve ser esse o argumento que uso comigo por não compreender o que escuto, vejo, percebo, vivo. 

O homem entra na panificadora. Um homem. Nada mais que um homem. 

Mas ele era negro. Mas ele pobre. Mas ele mais que pobre, era maltrapilho. Com poucos dentes, com roupas esfarrapadas. Não estava fedendo e nem bêbado, de pejorativo apenas os “mas”. 

Ao entrar as pessoas, sim pessoas, homens, mulheres e todas as outras opções, repararam naquele homem. Algumas repararam nas pessoas que reparavam o homem. Pois há um clima tenso no ar de que qualquer ação pode ser certa, ou errada. Mas aí só temos essas duas opções. E sair pela tangente requer jogo de cintura. 

As pessoas que se dirigiram ao homem disseram que não. Uma diz que o chefe não está. Essa pessoa, pelo que sei, é a chefe. Mas para se isentar da responsabilidade de negar algo, se posiciona como subalterno, algo que seu nariz empinado não permite em outras ocasiões.

Ao perceber o homem sair, uma mulher diz que lhe dá pão, paga o pão para o homem. Eu, que estava perto da mulher, não escutei o que o homem pediu, apenas o não da mulher, discreto, mas audível. 

O homem diz que não quer pão, pois tem muitos. Quer apenas um café com leite. A dignidade do homem está ali. Ele não quer uma coisa, quer outra. Mas e daí, que dignidade um homem com tantos “mas” pode ter? Mas ele tem. 

E sim, dê o café com leite a ele, por favor. A dignidade deste homem merece um café com leite, com açúcar e colherinha…deveria ter dado um copo de isopor também, afinal, eu pago. 

O homem saiu. Com seu café. 

Uma mulher agradece a pessoa pela atitute…ao que se é respondido que apenas algumas pessoas têm direito a caridade, já outras são mentirosas. Como isso pode ser tão claro? Bem, é o foco. 

sábado, 18 de novembro de 2017

Não há esperança pra quem vê longe

A maldade humana não trava como esse teclado, que faz a memória falhar ao tentar colocar na tela tudo já remoído. A maldade humana não falha. Jamais seremos algo soberano como sociedade, pois existe um mal que domina por discursos, atos, histórias. A não guerra é excessão. 

A maldade vem vestida de carneiro, com terno gravata e vestido da moda. Atualmente te insere no sistema e te domina. Faz com que acredite que somos capazes de sermos melhores sozinhos, ou em nome Dele, ou então por algum partido, ideologia…quem sabe pelo time seja mais honesto, pois não há discursos racionais,  ou tentando se-los, inflamados, defendendo. Em nome de algo mata-se, destrói-se, acredita-se. 

A crença. Em quem vc crê?
No que vc crê?
Por quê?

Como fazer o amor vencer o ódio? O desrespeito? O preconceito? A intolerância?
Igrejas vomitam verdades enquanto separam famílias com discursos de ódio…em nome do amor.
Movimentos gritam que se vc não pensar como eu estará errado. Vc é burro e precisa ser incluído no meu discurso.
Partidos?
Partidos no Brasil são tipo propaganda de margarina, e aqui recorro ao Oliveto, são cadáveres sorrindo. Conquistam a população pelo sórdido: vc será vencedor se votar em mim! agora é a chance de mudar! pessoas felizes, sem violência, ninguém mais nas ruas…e em toque de mágica o mundo muda e todos são felizes, sem que ninguém precise fazer algo para isso. A não ser apertar uma tecla. 

Pelo menos no futebol o Paraná voltou pra primeira divisão! Milagre ou força?





sábado, 24 de junho de 2017

Emoções Emoticons

Cada vez que conto uma história da época da faculdade, começo com o tradicional: há 16/17 anos ...Ou até mesmo do período anterior, aí podemos avançar para: há 25 anos…

É muito tempo e muita coisa mudou. Os celulares só começaram a fazer parte da minha vida em 2001, logo, passei a adolescência sem. Quando a internet começou, eu fazia cursinho, era um treco demorado, amarrado, mais irritava do que resolvia, mas foi o começo de uma revolução.

Minhas lembranças de infância estão relacionadas à Xuxa, personagens e até mesmo propagandas. Não havia essa diversificação que há de canais e até meios. Nem cuidado com o que se produzia para ser enfiado goela abaixo das crianças: mulheres seminuas, sensualidade ou violência, sem nenhum olhar crítico sendo interiorizado. Era sem controle, literalmente, éramos obrigados a levantar e apertar um botão para trocar de canal ou mexer no volume. Isso quando não era necessário ficar segurando a antena. 

E quando falo dessas coisas, parece que vim de um passado distante. Mas não, foi ali na minha história. Está presente na minha memória fresquinho. Não me sinto uma pessoa de quase 40 anos, ou até me sinto, mas não parece que 20 anos se passaram. Como que esses 20 anos se transformaram em uma noite? Sim, foi ontem. Quantas vezes planejei meu 2001, estamos chegando em 2021. A década de XX tão linda, espontânea e até mesma confusa voltará em outro século. E estou aqui, me sentindo com 20 anos para vive-la intensamente como aquela juventude de Berlim a viveu no pós guerra. Mas não há pós guerra, nem a intensidade daqueles dias. Mas há uma outra coisa mexendo com o presente, as relações. A tecnologia nos permite viver, sentir, comunicar, saber. Conexões. 

No começo deste ano me senti ultrapassada. Não conhecia termos usuais que uso na profissão, também estava com dificuldade de compreender como me mexer com tanta tecnologia e tanta coisa para fazer. Trabalhar com comunicação nos impões que é preciso saber compreender esses meios para planejar as formas de distribuição de conteúdo...básico! Sim, quando comecei eu enviava o Boletim, que não era eletrônico, por fax...ufa, tem gente lendo falando...no meu era telegrafo...só tenho 38 anos! Mas mudou. 

Então busquei uma pós. Nada demais, só precisava ter uma ideia do que estava acontecendo no mercado. Pesquisei, e como boa mulher de 38 anos, precisei encontrar a opção viável...e nem falo de dinheiro (essa é a melhor parte de não ter mais 20 anos), mas tempo e logística, afinal tenho empregos, uma filha, um marido, uma casa, dois gatos, tudo precisava se encaixar. Eis que fui pra uma universidade bem tradicional. E o melhor de tudo é perceber que está todo mundo tão perdido quanto eu. Que alívio. A comunicação está realmente mudando as relações? E o mercado? Como compreender tantas mudanças? desafios? enfrentar estigmas? e como será, se não temos ideia de como é? Ou temos, é tudo igual, só se tem a impressão que tudo mudou?

Uma das coisas que tenho pensado é sobre a falta de novidade, pode ser apenas uma sensação, ou como ouvi muito hoje: tenho esta percepção. Sei tudo que acontece com as pessoas, as viagens, os filhos, a sorte, o azar. Quando encontro na rua, em vez de perguntar como está, tento acrescentar mais alguma informação do vasto repertório desnecessário que já seu dela. Pois muitas vezes até o almoço já me foi apresentado. 

Tem também o mundo paralelo das redes sociais. Nem todo mundo que converso nas redes eu dou oi na rua. Algumas delas simplesmente não reconheço, mas tem muitas que não sei o que dizer. O estranho é que acabei de trocar a maior ideia em algum post com a criatura. Mas como dar oi pra um ser virtual? Tem algumas pessoas que me ignoram também. Não é o tipo de coisa que me incomoda, mas é um novo tipo de relação. Pois nem todos do mundo de cá, servem pro mundo de lá...e vice versa. De qualquer forma, gosto desta novidade, pois construi formas de me relacionar que provavelmente não seria possível no mundo real. 

Essas são questões pessoais, não houve uma pesquisa ou algo do tipo. Até porque esse blog se chama Complô da Alma, é quando ela grita que vem pra fora!


sexta-feira, 19 de maio de 2017

Reflexões

Já escrevi sobre a profissão de jornalista na primeira década deste milênio, deve ter uns dez anos. Construí outro pensamento nestes últimos tempos. E, após alguns desafios superados, vejo como uma profissão que busca um rumo após a cultura digital estar mais desenvolvida e ter transformado todos os seres humanos em potenciais comunicadores. Comecei buscando obras do milênio passado, nas quais McLuhan dizia ser o meio a mensagem, com Negroponte, rebatendo essa afirmação, pois, para ele, o meio deixa de ser mensagem nesta nova cultura devido à maleabilidade dos meios digitais. Prefiro seguir o Negroponte, mesmo ainda estando no começo do livro no qual ele fala sobre bits e descreve as formas pelas quais a notícia chegará aos reles mortais. O cara previu o Facebook... ou algo semelhante.

Voltando à profissão de jornalista, acompanho essas mudanças impulsionadas pelas revoluções tecnológicas, até por motivos de sobrevivência, e me assusta, claro, a percepção de que qualquer ser humano, desde a mais tenra idade, já possa produzir material digital e publicá-lo, transmitindo opiniões, notícias ou o mais básico entretenimento. E a internet está cheia disso por aí. Quando eu estava à procura de influenciadores e micro influenciadores na área de educação, li uma matéria (ou algo parecido com isso) sobre o workshop de influenciadores kids. Crianças com menos de 10 anos com canais de youtube que têm seus sei lá quantos seguidores. É isso! Qualquer um que saiba se comunicar pode estar na internet, ou nem precisa se comunicar, nem precisa ser humano... pode ser uma capivara! E aí o bicho pega! Por que cargas d`água nós, jornalistas, somos necessários? (Para criar as capivaras... dãããr)

Para falar sobre tal necessidade ilustrarei com fatos atuais e outros nem tanto. Ótimo! Pois estamos passando por uma crise moral na política brasileira e, apesar disso não ser novidade, é uma boa hora para analisar o nosso trabalho e qual a necessidade da nossa existência. Ontem, após a denúncias sobre propinas do Temer e do Aécio, resolvi deixar na Globo News para acompanhar as notícias sobre o caso. A cobertura passou o dia inteiro repetindo o mesmo fato com algumas palavras diferentes. Já desenhou, ilustrou... Existem tantos outros assuntos... Tanto existem, que troco de canal. A internet pode me manter atualizada e não preciso escutar o mais do mesmo. 
Na internet, encontramos diversos meios de comunicação, com ótimos jornalistas. Valor Econômico, Nexo, Brasil de Fato, imprensa local, rádios e web, buscam furos, às vezes acertam barrigas, mas têm muito conteúdo. Às vezes, é difícil saber o que é verdade. Muitos memes, uma variedade incrível de memes e dá pra desenhar a história do Brasil (e do mundo?) nestes últimos anos só por eles. Sim, há vida inteligente por aqui, é só pesquisar. O problema é como se sustentar nessa avalanche. Até porque, e isso já está sendo amplamente estudado, as notícias mais compartilhadas nesta segunda metade da década são fakes. Não que os grandes jornais já não tivessem formas variadas de pautar a opinião pública com inverdade, isso apenas ficou bem mais descarado e não precisa mais de jornalista pra isso. 

Aí vem essa história de pós-verdade e estamos vivendo uma era meio maluca, na qual o liquido já virou gasoso e perdeu-se por aí. Mas é aí que entra nossa querida e estimada profissão, os sérios, éticos, aqueles que resolveram fazer jornalismo porque acreditam na informação como agente transformador e essencial para a democracia. Estou em busca de informações sobre isso! Mas no meu primeirinho degrau, percebo que é preciso ser mais do que comunicador, mas saber de comunicação como ciência, não apenas como técnico. Escrever um lead, fazer uma chamada, um vídeo, ter um canal multimídia é algo banal, literalmente coisa de criança. Vamos precisar ser verdadeiros comunicólogos e estudar não apenas os meios, mas tecnologia e as humanidades, psico, sócio e antropologia. Construir uma ponte, de forma rápida como os memes e que chegue à população antes da banalização do assunto, para, assim, ser consumido como se consome a praga do entretenimento. 

Comunicação Institucional
Os dois exemplos citados não foram estudados a fundo, farei isso nos próximos degraus, mas cito como impressões minhas...

A Prefs, de Curitiba, na equipe da gestão passada, pode ter feito esta ponte com a fanpage. Acredito que foi uma boa tentativa, que no nosso meio virou case de sucesso, mas que, apesar de ter atingido a população mais jovem, ganhando notoriedade e um alcance inimaginável como página institucional. Porém, e na época trabalhava com secretarias municipais, por isso essa impressão, teve como protagonista o entretenimento e a instituição prefeitura ficou como coadjuvante. Vários programas oficiais do município não chegaram a uma parcela significativa da população.

Outro caso aconteceu na atual gestão, a comunicação oficial da prefeitura soltou uma notícia sobre suicídios de adolescentes ligados a um jogo chamado Baleia Azul e, sendo uma instituição pública, pode ter dado permissão aos meios de comunicação de falar sobre o assunto (falou-se repetidamente, incansavelmente, as mesmas coisas). Em dois dias, falou-se tanto sobre algo tão tenebroso, causando um mal estar geral, e após esse período o tema evaporou. Quando o assunto enfim ganhou embasamento, que poderia gerar um debate sério e eficaz, já estava tão cansativo, que perdeu o gás. 

Citei esses dois casos como exemplo de responsabilidade social e o poder das instituições públicas como agentes de comunicação. Ambos tiveram amplo alcance e foram ovacionados pela população e, principalmente, por colegas. Claro que sou do contra e pretendo trazer um outro olhar.  

Esses dois "cases" (adoram essa palavra, rsrs) demonstram a responsabilidade do jornalista institucional perante a sociedade e suas mudanças. Como assessora de imprensa de uma entidade tradicional, compreendi que é necessário não entrar nas nuances das redes sociais, mas compreender seus mecanismos e tentar transformar esse meio no canal com o público alvo, até porque os meios de comunicação tradicionais estão mais interessados em repetir assuntos sensacionalistas e não decodificar mensagens complexas, ou seja, se há diferença entre instituições, cada uma é responsável por uma demanda e que há regras a serem cumpridas, isso não interessa ao mainstream, logo não será pauta no jornal do meio-dia. Esqueça que seu público-alvo terá acesso a essas informações e nem sei mais se se interessam por elas, mas questionam a serventia da instituição. Tratar esse público de forma infantil poderia ser a autorização oficial para essa população isentar-se das suas responsabilidades como cidadãos. Não acredito que a longo prazo isso possa ser benéfico para a sociedade. Então, como desenvolver algo que não seja banal e que conquiste esse público? Não é fácil, eu sei...mas se fosse fácil, não teria graça e eu não teria feito textão!

segunda-feira, 1 de maio de 2017

Dia do Trabalho e os Workaholic

Acabei de explicar o porquê do dia 1 de maio pra minha filha. Pode parecer utópico para os dias de hoje, quando trabalhar compulsivamente, ou ser workaholic, tornou-se cool (posso já estar ultrapassada). 

Já vemos reflexos desse nosso comportamento quando a OMS declara que a depressão é o tema da campanha do dia da saúde, que ocorreu no dia 7 de abril deste ano, por ser a principal causa de incapacidade em todo o mundo, além de contribuir para a carga global de doenças. Logo, as conquistas do dia do trabalho, que era diminuir a carga de 13 para 8 horas, tinha um porquê prático, a nossa saúde mental, e na época também física (será que estou tão ultrapassada?). Mas nem com todos esses sinais nos contentamos, continuamos a querer provar sei lá pra quem que somos máquinas, e até mesmo escravos de um senhor imaginário que nos cobra a perfeição. 

E além dos nossos problemas físicos e mentais, há também a necessidade de se estar com a família, filhos terceirizados são uma das causas desta epidemia declarada pela OMS. Isso pode parecer bobagem quando temos uma bolha que não nos deixa enxergar além do nosso grupo social (viva o facebook), mas é uma grande tragédia em níveis mundiais. Mas quem sabe o objetivo seja diminuir a população, e aí estaremos sendo bem tiranos em não dar a mínima pra isso!


sexta-feira, 21 de abril de 2017

O que você está pensando?

Esta pergunta persegue muitos que participam da rede social facebook, eu principalmente. Porém raramente respondo ali, porque não querem saber o que estamos pensando, mas se estamos pensando de acordo com todo o resto. Pense igual, não destoe das tendências impostas sabe-se lá por quem.

E precisa-se pensar no período de tempo em que a pauta está em jogo, não pode ser depois. Nada de refletir, buscar dados e pensar nas consequências...poste o que te vem à mente.

Overdose de informações que morrem em dias e assim, aquilo que "mas é importante falar sobre isso"cansa, enjoa só de se pensar pq sim, houve uma overdose de petiscos, é gostoso, mas não alimenta.

As pessoas que dizem que é importante falar sobre o assunto são aquelas que tem uma opinião formada, pesquisam e estudam e estão lá, com seus discursos prontos para seus iguais, nada de destoar da fala deles, é um crime tentar colocar em jogo aquilo que foi estudado por essxs especialistxs, pois são pessoas extremamente cools, legais e querem incluir todxs...incluir onde? No discurso, no mercado, na sociedade? Então em vez de tentar mudar a sociedade para que essas pessoas não precisem ser incluídas, porque não serão excluídas, impõe-se que que se enquadrem aos moldes, todos diferentes, mas iguais, no mercado de trabalho, ganhando e consumindo porque é isso que move o mundo e é preciso que todxs estejam nos shoppings e praças de alimentação (ou seus genéricos) dos magros aos plus, de todas as cores (pegue a tabela da skol para ser representado), dos mais variados gêneros (tantos que nomea-lxs virou um desafio), de todas as idades.

TODXS os discursos capturados pelo mercado para que TODXS possam ser consumidores.

E a sociedade passa a ser não de cidadãos que buscam a se sentir representados, mas consumidores espelhados em conceitos publicitários e não consigo não pensar no livro do Toscani - A publicidade é um cadáver que nos sorri: lindo, mas vazio. 

Neste mesmo período de tempo escuto numa aula que a tendência é ser verdadeiro. Que as grandes marcas do mercado falam de sustentabilidade e alimentação saudável mesmo sendo empresas que abusam da mão de obra chinesa ou de alimentos fast foods, mas elas mudaram o branding porque precisam incluir a todos, ou todxs, ou todas. Mudam seus produtos, pois agora são fabricados com lixo (da sustentabilidade) e matéria prima saudável (da comida) - por favos não confundam. E nos jornais e redes sociais o povo se assusta com um monte de adolescente buscando uma série ou um jogo que tem como protagonista o suicídio. 

Nisso me recorre o pensamento de que não há mais discursos verdadeiros, todos são capturados pelo mercado e transformados em publicidade, mas e o jovem? Ele precisa bater de frente com alguma coisa. Ser punk ou hippie, ou ouvir rock roll (por mais que essas tendências tenham sido capturadas, havia a ingenuidade de estarmos fazendo algo errado...minha mãe brigava comigo por cortar as calças, teve um professor que me encheu o saco por pintar o cabelo de roxo), fumar maconha, ser homossexual, qualquer coisa que choque a sociedade, mas não, tudo é certo, está incluído, todos tem seu espaço...então me mato, é a única saída, ou pelo menos vou atrás de algo que diga que me matar seja a única saída. Pois os grupos de facebook contam com 50, 60 mil adolescentes...mas 7 se mataram ou tentaram em Curitiba e mais dois no Pará...ah, deve ter tido mais uns por aí, graças a deus apenas o prefeito de Curitiba publicitou isso como o grande salvador da pátria...do mundo! Ele e seus discípulos cristãos que abraçam as famílias da república de Curitiba. Agora coitados dos adolescentes, não podem mais sentir frio e colocar um casaco. E as crianças, que nada têm a ver com a história, estão com medo de baleias e imaginando como elas machucaram o braço das garotada.

Acabei de colocar um texto de um antropólogo e psicanalista, Célio Pinheiro, sobre o tema, tanto no face como nos grupos, questionando o porque de adolescentes estarem buscando tais subterfúgios, um dos únicos que li que realmente questiona a base da nossa sociedade, fui ignorada. 

O marketing venceu, ou acha que venceu, como tudo que ele faz, é a aparência, não a coisa em si. Vamos continuar a vivenciar tais mentiras, pois foi assim que aprendemos a nos relacionar, com interesses e mentiras que viram pós verdades. Também continuar com o não entendemos ou dando opiniões rasas. Mas tomando nosso santo remédio de cada dia, pois aguentar tanta coisa ridícula é realmente entediante, até pra mim, nos meus quase 40 anos, imagina pra quem nasceu na era das redes sociais. 

Foram essas coisas que pensei nessa semana, pois foi o que facebook e a minha pós em comunicação digital me apresentou. Na verdade teve o bbb e o josé meyer com machismo tbm...mas nada como o suicídio e o sentimento de culpa da sociedade para absolver, ou absorver mesmo, os machões da rede globo.

Pronta para a próxima semana?



domingo, 20 de dezembro de 2015

Comunismo Consumista

Desde os meus 12 anos escuto discursos cheios de pompa e ao mesmo tempo vazios. O primeiro foi para derrubar o Collor. Mto legal ter participado de toda aquela ação, mas saber que tudo não passou de um golpe é brochante. Resolvi conhecer os anarquistas, após todo aquele discurso de que cada um faz o que quer descobri que tinha que querer o mesmo que eles. Depois veio o povo militante, da esquerda, cheio de lenin, marx, mais valia, e lá fui eu ler o Capital. Campanha pro pt e o pt ganhou...e o que ele fez? se associou ao pmdb, aos bancos, a monsanto...
Este final de semana compreendi que o tal comunismo realmente nunca me disse que o objetivo seria qualidade de vida, que seria um governo pensando na sustentabilidade real ou até mesmo no menor consumo. O comunismo quer garantir o consumismo pra todos e não é isso que eu quero. Eu quero que as pessoas tenham sabedoria para consumir sem que isso seja um problema. Quero que todos tenham acesso ao transporte público de qualidade para não precisar de carros, quero universidades públicas e não essas mequetrefes particulares, quero comida sem veneno e não quero mais discursos vazios. 
Militante, você é irritante! E não pq fala a verdade, mas pq quer impor um discurso vazio a força. Se vai ter golpe? Já teve, e foi quando me convenceram de que o pt seria diferente dos outros. E não foi. 
Não sei o que será desse país, nem de mim, mas espero que lideranças sem lobbys apareçam. Dificilmente ganharão, já que o que faz a cabeça desse povo é a propaganda e sem dinheiro, não tem como!

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Viva a crise!


Vários meios de comunicação informam que o Dia das Crianças foi um fiasco para o comércio. Comemoro?
Durante toda a semana anterior a data várias postagens mostraram alternativas contra o consumo excessivo de brinquedos. Assim como em outras data. Pode ser que eu só tenha amigo hippies...mas eu tenho mtos amigos e esses tem mais amigos. Assim forma-se uma rede. 

O comércio está desesperado? Ele merece o que está acontecendo. Por que precisamos comprar tantas coisas? Crianças realmente precisam de tantos brinquedos? Não é o que elas mesmo dizem quando são questionadas sobre o que preferem: presença dos pais, um dia de brincadeiras ou mais um brinquedo que provavelmente estará esquecido no canto do armário daqui duas semanas?

Várias pessoas já estão pensando na primeira alternativa, até porque já temos tudo. Se hoje comemos tantas besteiras, é pq há o excesso de ofertas. Se as crianças já não cabem no mesmo quarto onde guardam os brinquedos, é pq ganham demais, é barato, é essencial até...não, claro que não é. Mas tornou-se pq esse é o trabalho do marketing: transformar algo que não serve pra nada em necessidade primária. Será que estamos percebendo isso?

Estamos em crise, quando não estivemos? desde que me conheço por gente estamos em crise. Pode ser que agora tenhamos uma crise moral e ética mais profunda, tomara que o buraco seja fundo e a mola esteja lubrificada para que o salto seja maior e consigamos nos transformar em seres humanos melhores. Porém, para isso será necessário que o comércio pague pelos seus atos. Vendeu demais, criou expetativa demais, nos engana demais...aqui se faz, aqui se paga...e no Natal iremos todos orar e comprar presentes dos amigos!
















sábado, 27 de junho de 2015

Beauvoir define tempo




"...nunca temos mais do que uma existência relativa. No fundo é muito simples, quando era jovem julgava que tinha uma vida à minha frente, mas uma vida nunca está à frente nem atrás, não é algo que se tenha, é uma coisa que passa..."


Simone de Beauvoir

terça-feira, 9 de junho de 2015

Padrão mata a alma

Ah o poder! 
Parece que quanto menor o cargo que lhe concede, maior mesquinharia. 
Já me contaram que na época da ditadura que o problema não era o presidente, mas o guardinha da esquina, esse que nunca teve nenhum gostinho de poder, é humilhado por tantos, resolve se vingar naquele que nada tem a ver, ou naquele que luta por não ser oprimido.
Bem, viramos uma nação de oprimidos. Raros são os que enfrentam, apenas para não aceitarem a submissão, nem sei se por ideologia, acho que apenas por dar voz por perceber injustiças e hipocrisias. E não há chances quando isso acontece, cabeças são cortadas. 
Calemos a boca e aceitemos que somos menos, precisamos desse reles salário pra manter um padrão de vida. Padrões matam a alma! E o poder matou o amor!

domingo, 3 de maio de 2015

Adultices

O ser adulto, para mim, significa calar-me. Lá atrás eu pensava que isso não aconteceria. Eu sempre teria opinião e ela uma hora ou outra iria aflorar. Bem, na atual conjuntura me calo. Os motivos são tantos e colocando na balança o calar-se não é mau negócio. Mas tenho um problema grave, o que não solto pela boca ou pela escrita, fica preso, atormentando, me apagando. Apaga-me a tal ponto que destrói, que adoece. 
Virei uma adulta doente das minhas verdades. E não sei até que ponto são verdades, eis um motivo de calar minha boca e meus dedos, minhas ações. Virei uma adulta cheia de obrigações com essa sociedade doente, cheia de egos e presa por interiorizar suas manias, seus padrões. O ser adulto, não muito maduro ainda, apenas adulto, tem desses problemas, ainda não nos livramos da mediocridade familiar. Não sei se um dia terei forças pra tal, neste momento essa terceira pessoa implantada pelos gritos e acusações reforçam algo que não sou, algo que não quero ser e me dá asco. 

terça-feira, 24 de março de 2015

O excesso e a desvalorização

No mundo vasto do facebook há manchetes de várias espécies. Pesquisas, imagens, tudo ao alcance de um clique. Um clique que leva ao nada. Matérias vazias, repetições de leads e pesquisas que sabe-se lá de onde surgiram. A decadência do jornalismo e a falsa sensação de informação, de democracia. 

A Imprensa nos informa, e assim nasce uma Democracia, pois a Esfera Pública é o núcleo das decisões em uma sociedade democrática. Para tanto é necessários algumas etapas:
  1. Acontece o fato 
  2. O jornalismo o divulga amplamente, ou seja, torna-o público: publicidade (termo distorcido atualmente, quer dizer “tornar público”, não vender produtos ou serviços).
  3. O cidadão lê as notícias, pensa sobre elas, forma uma opinião pessoal.
  4. De posse de sua opinião pessoal, o cidadão discute com outros cidadãos os temas publicados pela imprensa e desse debate forma-se a Opinião Pública.
  5. Com base na sua opinião pessoal, no debate e no resultado do debate, o cidadão, sozinho e/ou em grupo, age conscientemente.
Porém a seleção dos fatos está cada vez mais tendenciosa e, muitas vezes, fútil. É realmente preciso saber onde Caetano Veloso comprou o pão no Leblon? 
Temos também as pesquisas: bebês, se amamentados, têm melhores chances no mercado de trabalho... interessante, né? Abre a matéria e além do lead com as informações básicas, nada além... uma manchete até meio óbvia.


Será culpa do mercado de trabalho que paga salários irrisórios à classe que deveria informar?

Emburrecemos? Será uma conspiração para nos idiotizar? 
Onde foram parar os jornalistas de verdade? Cadê a pesquisa?
Será culpa do mercado de trabalho que paga salários irrisórios a classe que deveria informar? 

É uma pena ver uma profissão que poderia conscientizar ser transformada no braço do marketing, manchetes de cliques.